sábado, 20 de junho de 2015

Espiritualidade e Religiosidade – parece a mesma coisa, mas não é.




A milhões de anos atrás um primata comum deu a luz a dois filhotes e possivelmente, um daria origem ao chimpanzés e o outro a especie homo. Isso pode ser classificado como uma teoria apenas, mas é o que estudos mostram. Mas também podemos fazer milhares de especulações – adoro frustrar esses imbecis científicos que acham senhores do céu e da terra – e fazer teorias e mais teorias sobre a origem do ser humano e o caminho, pelo que estudo, está errado porque não existiu (não que eu saiba), nenhuma etnia humana que fosse completamente ateia. Alguns podem dizer que existem os budistas que não tem um “deus” especifico, mas o ensinamentos mais puros de Buda Sakiamuni, são que você entra no nirvana para exatamente encontrar a paz eterna e a bem aventurança do seu espirito. Mas o mundo ocidental – principalmente nos reinos medievais que o papado era uma troca de poder familiar e o poder geral de um império que se transvestiu em cristão – criou muitas religiões e sem medo de errar, não mais religou o ser humano com o divino. 

O mundo ocidental é um mundo que adora ostentação – exatamente, os funkeiros ostentação são filhos do meio e da ética onde vivem – porque não se segue uma religião por causa da religação do ser humano com o divino e esse divino é muito além daquilo que se pregam. Lembram que disse que não existiu nenhuma etnia que não acreditasse em nenhuma força divina? Pois bem, isso mostra que temos uma certa ligação já inata dentro de nós e não capitamos porque não queremos o engradecimento do espíritos, mas o engradecimento monetário e materialismo. Isso assusta a grande maioria porque a grande maioria ainda tem dentro de si um sentimento meio que enganador sobre a religião – acreditando que ainda existe muita ignorância no mundo – ou visões equivocadas multiplicam porque o pessoal tem preguiça de ler e quer explicações rápidas e prontas. Certamente, a maioria não sabe a diferença da espiritualidade e da religiosidade que não são sinônimas, mas a espiritualidade é muito mais importante do que a religiosidade porque a espiritualidade não é um ritual e sim, um encontro consigo mesmo que a maioria das religiões não gostam de que tenhamos esse encontro. Porque sempre encontramos meios para nos religarmos com o divino na espiritualidade sem a religião interferir ou precisar ter uma (religião) para tal, pois muitos são os chamados mas poucos são os escolhidos, como diz a fala de Yeshua (Jesus). Não é o que temos na maioria das religiões que vimos? Muitos vão nas igrejas , mas poucos compreendem seu real significado que vai muito além das meras teorias teológicas. 

Vamos começar dês do começo para não confundimos as coisas. Numas das passagens do Novo Testamento nós podemos ler que Jesus (Yeshua) disse a Simão que daquele dia em diante ele chamaria Pedro (Cefas em aramaico) e ali ele iria colocar sua primeira pedra de sua igreja. Bom, fica claro que Jesus queria dizer que Simão era a pedra (ensinamentos) que iria construir a sua comunidade, porque tanto do termo grego “ekklesia” (ek=fora kaleo=chamar), quanto a forma aramaica (kenista), são termos para comunidade. Ora, comunidade quer dizer uma unidade daquilo que é comum dentro de algum pensamento ou daquilo que comungamos sobre um ensinamento, e sem medo de errar, Jesus teria dito ao seu discípulo Simão que deveria ele ser a pedra da sua comunidade que deveria ser cercada de seus ensinamentos e levar a outras comunidades esses mesmos ensinamentos. Talvez, Jesus nem pensou em algo além das comunidades locais, mas ali ensinar que a ligação entre o ser humano e o divino estava muito além do que ordens morais violentas ou ordens morais que visam as ganancias materiais. A “ekklesia” é chamar para fora algo que temos dentro de nós e que poderemos ir para as comunidades praticar aquilo que aprendemos, não consiste em um prédio ostentando o poder como a dois mil anos o cristianismo romano e ocidental quer passar, mas é a pratica dos ensinamentos em forma de fazer mesmo aquilo que as passagens jesuitísticas passam a cada ritual, a cada palavra levada ao sacerdote (seja padre ou pastor) como guia. Acontece que muitos desses interesses estão sendo levados ao interesses de certas instituições que querem – porque se sustentam com a crença e com os mitos das pessoas – que tudo seja feito para que essas situações fiquem desse jeito, insustentáveis e que a violência continue para a maioria dessas religiões ganhem dinheiro. Claro, que isso nada tem a ver com o fundamento e o fundador dessas religiões que alguns ateus militantes insistem de pautar, e sim, tem um viés muito mais profundo. Isso já são fatos que são carregados dês das eras medievais e que não mudaram – quando o imperador romano passa a ser papa depois da invasão germânica e que mudam a instituição romana como império com a instituição romana como Igreja Cristã Apostólica Romana que vai perdurar toda a idade media que ao contrario que muitos historiadores dizem, não foi uma era completa de escuridão e ignorância – mesmo com a reforma protestante que levou a uma ruptura ao absoluto da igreja católica. Na palavra de Jesus para Simão (Pedro), essa “pedra” é muito mais do que o objeto “pedra” e sim, exige uma viagem além do que falas e interpretações sistemáticas, exige um ar de liberdade de captar a essência de todo o ensinamento do mestre Jesus. 

Varias vezes Jesus disse que não estava quebrando a lei, mas estava reforçando essa lei e colocou essa mesma lei no rumo certo. Em nenhum momento quis fundar uma religião, que aliás, nenhum avatar (mestres espirituais) quiseram fundar e sim, quiseram que fossemos no caminho certo. Então, se não quis fundar nenhuma religião e podemos dizer que quis ensinar o ser humano a paz continua (que se pensarmos muito bem é muito mais barato e tem maior probabilidade progressista), por que as religiões cristãs vão insistir em discriminar outras denominações espirituais? Por que existem lideres espirituais que vão contra os próprios ensinamentos de Jesus e não ensinam o amor ao próximo? Politica? Podemos pegar o exemplo da homossexualidade, em nenhum versículo do novo testamento – que contem os ensinamentos de Jesus – tem alguma fala ou alguma especificação entre amar ao próximo hétero, ou amar o próximo perfeito, amor ao próximo que me dê vantagens e por ai vai. Quem busca sempre a perfeição, a sistematização do gêneros, a vantagens pessoais são na maior parte da religião judia que faz da sua teologia algo impresso em ganho para si. Tanto que o velho testamento é uma luta constante em querer barganhar com o divino sistematicamente para serem sempre o povo escolhido, que na maioria das vezes, perdura até hoje como álibi para atacar e matar o povo palestino. Mas cuidado, judaísmo é uma religião mosaica (vinda do avatar Moisés que teve a sua iniciação no Egito) e não é sinônimo do povo israelita que descende do povo hebreu – que Jesus também veio – tanto é assim que existem israelitas até mesmo, ateus. Então, os dois versículos que vão ser uma bandeira forte contra a homossexualidade, um vem de uma cultura do oriente médio e outra veio de Saulo (Paulo) de Tarso que tem uma forte ligação com o judaísmo e trás isso para o cristianismo, que aliás, outro viés que ele trás dentro do cristianismo (que até vão usar a alcunha de ser paulino) a filosofia estoica (que tudo vem de uma razão) que era muito difundido na educação romana, já que ele era um centurião e um perseguidor dos cristãos. Talvez a sua conversão ao cristianismo – que ele perseguia de forma sistemática e cruel – seja umas das historia mais curiosa e abre um grande leque de possibilidades e teorias sobre, pois Jesus aparece para ele e pergunta: “por que me persegues?”. A ligação com Jesus acontece puramente espiritual e foi um grande acontecimento para ele, mas, ao que parece, ele confundiu um pouco o cristianismo com outras filosofias. Sera mesmo que por causa disso vimos tantos atos ilícitos dentro da historia do cristianismo? 

Essa pergunta espiritual de Paulo veio dentro do seu espirito e foi um ato de encontrar o porque da perseguição, e talvez, isso foi perguntado varias vezes (sua próprias consciência). Mas a imagem de Jesus isso ficou bem mais claro para ele e foi um grande acontecimento para seu espirito – sendo que ficou três dias cego – como um ajustamento daquilo que ele verdadeiramente teria que fazer e ser, mas o divino sempre deixa o ser humano com as escolhas e Paulo faz as suas escolhas para poder convencer o povo a serem convertidos a nova fé que nascia. Acredito que Paulo não construiu todas as suas cartas com o desejo de dominar ou em padronizar a fé de uma comunidade – voltamos a ekklesia de Jesus – mas de alertar alguns pontos que lhe eram importantes para a comunidade não esquecer da fé cristã. O locais sempre eram locais gregos que tinham as religiões gregas com seus oráculos e todo o panteão de deuses e a magia como forma de cura e formas de amor comum lá como o homossexualismo. Claro que naquele tempo – muito rústicos onde o ser humano não entendia alguns comportamentos e alguns deles eram imposições culturais. Como o patriarcado grego diz que a mulher era para procriação e o prazer era para corpos masculinos com seus concubinos, que Roma adota também e a igreja católica herda isso com os coroinhas e naga isso veemente, sendo que a pederastia, a democracia, a filosofia é ateniense – não se entendia que existiam forças que operavam muito além da realidade onde estamos acostumados, assim, existiam meios que nos comunicavam entre o mundo que é a realidade e o mundo que está a realidade. Talvez Paulo, num ato de pregar mesmo a mensagem do Nazareno, tenha esquecido daquele encontro com Jesus de Nazaré que possibilitou ele rever aquilo que ele deveria ter revisto e condenou aqueles que chamavam os mortos. Para ele em sua teologia estoica, há uma razão para Jesus aparecer e perguntar “por que me persegues?”, mas não há razão nenhuma no oraculo que tem um intermediário para essas comunicações, assim de repente, comunicar sua resposta a um anseio de alguém. Há um erro em achar que espíritos não tem vontade e esses mesmos espíritos podem dar coisas boas ou coisas ruins, mas para Paulo, se não for Jesus em pessoa, é o demônio. 

Podemos destacar que demônio e demônios são derivados de “daimons” que os gregos, que ficou famoso pelos relatos de Sócrates, era o mesmo que espirito, não tem nada a ver com demônios. Dai chegamos num dos maiores incógnitas da religião cristã porque dará margem para milhares de interpretações – e chegamos ao que quero chegar – e que com essas interpretações darão margem a morte de milhares de pessoas durante a idade media tardia, que morreram na inquisição. Interpretações que nas melhores das hipoteses e intenções, Paulo de Tarso pensava estar resolvendo algumas coisas que não caberia ele resolver – dai voltamos mais uma vez a pedra de Cristo – mas a Pedro resolver. O pior que houve uma completa tradução as avessa tanto do caso da “estrela da manhã”, quanto no caso da tradução de Satã. Quando Jesus diz: “Sai Satanás”, quis dizer “acusador” ou aquele que acusa e não é a toa que fala isso para Pedro que estava duvidando e acusando de não ser o que ele era. Na verdade a historia de Lúcifer (portador da luz) é uma historia rabínica e não está nos evangelhos, que a religião cristã por ser originado do judaísmo, encorporou em seus ensinamentos. Num modo espiritual, Satanás é um espirito que não gosta da paz e da alegria porque algo dentro da sua consciência – os sentimentos, tudo que está em sua essência – que lhe faz um espirito destrutivo e pode, se a pessoa não tiver um apoio espiritual, levar a pessoa a estados psicológicos e corporais em estado de doença. Existem vários episódios dentro da bíblia que confirma, como a legião que Jesus expulsa para os porcos e os mesmos pulam no abismo, esses mesmo episódios falam de opositores daquilo que é certo. Mas o que fazer agora que essa cultura ficou tão enraizada dentro do ocidente? 

Talvez foi a “boa intenção” com traduções erradas – se foram intencionais ou não, eu não sei – que levaram a morte milhares de pessoas dês do termino da idade antiga, até algum tempo atrás. De repente temos uma teologia que se preocupa muito mais do que um ganho após a morte, do que uma teologia que nos ensine que a felicidade existe e o mal e o bem dependa do que escolhemos. Nem tudo são os espíritos da discórdia e que se alimentam do ódio e da ignorância – que há muito desses espíritos no planeta nesse momento – mas que escolhemos para defender que muitas vezes não fazem a realidade da essência daquilo que defendemos ou que concordamos. Seja numa pedrada ou numa profanação de um tumulo – muito provável que foram pessoas maldosas que levaram a isso ou atos políticos contra uma determinada ordem religiosa por fazer oposição – ou até mesmo morte, seja o que Jesus pregou, a pedra que ele colocou em Simão (Pedro) e que começa a sua comunidade. Ou colocou no coração de Saulo (Paulo) o que ele deveria fazer para ajudar Simão em firmar essa pedra dentro da humanidade e seguir ensinando a “boa nova” sem dicotomias ou coisas desse tipo, mas que o caminho é um só, o caminho de uma boa religiosidade é uma boa espiritualidade, pois se você não tiver Deus dentro do seu coração, não vai ter igreja nenhuma que o faça. Dai ao longo da historia o mundo assistiu guerra em torno da religiosidade e não da espiritualidade, porque a espiritualidade vai muito além da religiosidade, porque quem é espiritualidade não é religioso, tem uma religião, tem algo que concorde, mas sem medo, também descorda, pois não vai para outra religião ou doutrina, só porque o outro disse ou o outro falou. Além disso há uma verdade ou realidade muito além do que querem ensinar, porque o que nos ensinam só é uma bela parte do que realmente é a realidade, Platão dará uma pista na Teoria da Caverna. 

A caverna platônica é uma teoria cognitiva da realidade no qual estamos – que existem muitos níveis de realidade e não entendemos ainda – e as religiões ainda não entenderam ainda por causa da visão arcaica que os teólogos brasileiro ainda insistem. A pedra que Jesus colocou a Simão (Pedro) mostra isso, uma realidade que ninguém captou e que Saulo (Paulo) ajudou a ratificar isso quando escreve sobre o amor, sobre o “ágape” (amor fraternal) e sobre o que é ser um cristão de verdade que três seculos depois, Augustinho de Hipona, trás novamente na sua fé e razão. Exatamente, o amor é paciente e a fé verdadeira nunca pode ser da discórdia porque a real espiritualidade já é ligada com o divino. 







Amauri Nolasco Saches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.

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