Não haver sentimentos não
quer dizer que não há nenhuma necessidade desse sentimento, mas
alguns deles nos tiram a paz, então para ter a paz necessária, não
deve ter sentimentos. Esse é o primeiro Código Jedi que muito
provavelmente, foi inspirado na filosofia budista da retirada do ego
– não o ego do eu verdadeiro, porque o eu verdadeiro caminha para
o conhecimento de si mesmo, mas o ego ilusório do não-eu que se
embrenha na conjuntura da ilusão do discurso dominante, um
micropoder – que faz o ser humano viver na ansiedade, porque ele
projeta o futuro que não aconteceu. A sabedoria budista nos diz que
a depressão é um aprisionamento do passado (talvez aquilo que não
fizemos ou as pessoas que já se foram), a ansiedade é a espera de
um futuro que ainda não aconteceu, então, quando não há nenhum
sentimento de aprisionamento e que fara você perder o controle, a
paz reina em absoluto. O que é momentos do que escolhas que fazemos
a toda hora? Esse texto, por exemplo, o titulo já está no passado e
a cada segundo que passo a escrevê-lo é um passo para o passado e
para o futuro, mas é uma questão de consciência. O que importa não
é o que possamos fazer as escolhas, mas como fazemos essas escolhas.
Aqui na nossa reflexão não
importa muito o individuo Buda, o indivíduo Jesus, o indivíduo que
trouxe o conhecimento superior, mas a ideia geral do conhecimento
superior que transcende o momento porque vai muito além do tempo. Na
verdade o conhecimento superior vai muito além de qualquer coisa que
possa ser dita em qualquer religião – não é que as religiões
não são necessárias, pois há um viés importante na evolução
espiritual até em ser explorado, mas as necessidades religiosas em
sua essência remontam a base intima em qualquer vicio não natural.
Não é a toa que as religiões pentecostais curam tantos nos vícios
de drogas ilegais e legais, pois coloca esperança na onde não tem
(se é verdadeira ou não é outro debate) – mas essa consciência
está presente muito antes do Big Bang, muito antes do tempo, muito
antes quando todos os elementos se fizeram. Ora, se essa consciência
sempre existiu, por que ela está em nós? Para descobrimos temos que
nos privar de sentimentos que não farão ajudar a nossa própria
evolução e não tem nada a ver com nossos atos, mas o porque deles.
Ora, se existem atos é porque
existem escolhas e se a cada escolha criamos realidades diversas e
nessa realidade especifica, está exatamente o que refletimos? O
problema não é sexo antes do casamento, mas o que fazemos com o
nosso corpo, o problema não é o ato, mas o conjunto de
consequências que levarão aquele ato. Matar é errado porque além
de privar o outro o direito a vida, também interfere na historia
daquele espaço, dos filhos, do companheiro, até mesmo de uma pessoa
que o morto possa ter ajudado. Pode ser até que a própria realidade
do assassino mude, pois sera preso, não fará nada que estava
destinado a fazer e seu futuro mude por um ato insensato de querer
tudo fácil. Quando Buda diz que só existe o agora, não está
falando em ficarmos parado sem fazer nada, ele esta dizendo que
devemos focar naquele instante que não há nada, só a sua percepção
e seu foco. Para ler algo tem que se concentrar, para ouvir alguém
tem que se concentrar, para comer tem que se concentrar e tudo se
deve concentrar para uma melhor sintonia com o presente. Não haver
sentimento, não haverá poder ao seu problema, nem ao seu opositor,
nem aquele que vai tentar te atacar. Quer melhor resposta do que o
silencio? Quer melhor coisa do que o aquilo que as pessoas não podem
saber? O medo gera a raiva, a raiva gera o ódio, o ódio leva ao
lado obscuro espiritual e não te faz evoluir. A paz te faz um ser
que tem uma grande visão, os felinos são animais sossegados,
observadores e por isso, os gatos são considerados animais
espirituais, por causa da sua maneira calma e confiante de chegar a
sua presa. A paz te dará a calma que precisa para a resolução e a
evolução. O ato em si mesmo é um caminho até a essência
espiritual.
Essa é a base. O que seria a
essência espiritual? Se tudo é energia e se nada é realmente como
percebemos – porque a percepção é subjetiva – então, a
realidade espiritual é muito mais complexa do que pensamos. Assim,
não haverá paz se não houver harmonia, se não houver harmonia não
vai ter a real percepção das coisas. Platão em seu teorema da
caverna nos mostra que nada é o que pensamos porque há uma forma
matriz – talvez por isso que o filme Matrix tem esse nome, pois é
uma realidade virtual (vem de “virtú” que é “aquilo que tem
potencial de ser”) que só copia a ideia matriz – que é a forma
originada por uma inteligencia e aquela forma deu origem a outras
formas e os elementos com essa forma. O Sol, por exemplo, é uma
esfera por causa do material que queima dentro da sua gravidade e que
é produto da fusão nuclear em seu núcleo. Mas antes disso é uma
forma, é um aglomerado de gases queimando em volta do núcleo de um
sistema gravitacional. Mas em sua essência é uma forma.
Quem fez programação sabem
que também temos as matrizes. Talvez a imagem do “Arquiteto”
dentro do filme Matrix, seja do programador primeiro que criou o que
chamamos de algoritmo Matiz. Exato. O sistema de realidade que temos
teve um momento que criou um algoritmo (segmento lógico) matriz
para criar toda nossa realidade, talvez esse seja o ponto que se
explodiu e se fez tudo. Mas quem criou esse algoritmo matriz do
universo aonde vivemos? Quem projetou esse imenso sistema que absorve
e cresce com a informação que dentro dele se constrói? Não são
mistérios se nós assumimos uma postura única e não ser escravos
de conceitos que não transcendem a realidade condicionada que somos
levados a acreditar, mas uma realidade além do que vimos e sentimos.
Talvez nem saibamos o que sentimos, nem o que vimos, nem o que é a
realidade de fato. Sistemas abertos tem melhor chance de ganhar na
evolução algorítmica de ter varias variáveis possíveis dentro de
um sistema, pois se depende muito mais a necessidade da forma do que
a estética da forma. Mas isso é uma prisão ou uma libertação?
Dai entra o carma (sânscrito karma) que não é castigo ou divida –
talvez isso tenha influencia dentro da visão cristã do pecado
original – mas sim, uma ação a ser trabalhada dentro da lei ou
realidade (dharma) que estamos inseridos. Eis o erro, pois podemos
escolher a que carma (ação) devemos seguir dentro do darma
(realidade) o que estamos vivendo.
Se você roubou ou é um
traficante perigoso, você tomou para si uma ação (carma) que te
levará ao carcere ou a ter medo sempre, porque o medo gera o ódio e
o ódio gera as sombras que nos seguem. O carma nada mais é do que a
escolha de uma ação que vai gerar uma reação dentro do darma, que
se você matou não é que alguém vai te matar ou em outra vida essa
pessoa lhe matará, mas sua ação reprogramou toda a linha temporal
de quem você matou (sua consciência voltou para outra dimensão),
redimensionou a sua e você vai ter que encarar as consequências
dessa ação. Não é castigo, não é divida, é uma reprogramação
do sistema de ação e reação, ou seja, no algoritmo da nossa
realidade. Quando você tirou o indivíduo da realidade, a realidade
teve que se refazer para mudar a linha temporal (o tempo não é
fixo), para suprir o vazio ou nem isso, o tempo te levará ao
desfecho de a sua morte ou seu carcere, seja o equilíbrio necessário
dentro de uma realidade maior. Nossas consciências voltam e os
corpos mudam – sempre o esquecimento é importante – mas aquilo
que você fez no passado deve ser reparado e nem sempre isso levará
a violência. Se você foi um rei que matou e levou muitos a sofrer,
nasce não necessariamente com o intuito de ser oprimido ou ser
morto, mas as vezes de defender uma causa ou salvar vidas. Muitos que
suicidam não nascem com deficiência porque ficam com sequelas – a
energia continua a mesma porque a consciência não tem forma, se
demos a forma como imaginamos, não vamos nos imaginar deformados –
mas que isso mostrará a ele que o seu impulso de fazer aquilo tem
que ser trabalhado.
Uma pessoa que não tem
sentimentos, ou não deixa eles aflorarem, não fara nada que não
tire seu carma de seu curso. Se alguém lhe trai, nunca te amou, se
alguém te roubou, com certeza sera achado. Repartições publicas
inteiras tem o carma alterado por causa das suas atitudes, empresas
inteiras tem seus carmas alterados por causa da filosofia da
empresas, então, para quê se preocupar se nossa linha sera
inalterada e lá para frente, pode
encontrar essa situação de novo? A sabedoria antiga não falha.
Amauri Nolasco Sanches Júnior,
39, publicitário, técnico de informática e filósofo.
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