
Quando
queremos um relacionamento sempre queremos uma pessoa perfeita e
sincera, que seja educada e que não tenha vícios. Esse é um amor
que herdamos da filosofia platônica que idealizamos demais o ser
amado e sempre desejamos que esse ser amado seja um semideus, um ser
que saiba o que nos conforta, um ser que saiba o que nos agrada, um
ser que saiba como tirar um sorriso de nós. Mas no meio dessa
idealização está o mundo que nos cerca, as bobagens que esse mundo
trás, que todo homem não presta e toda mulher é interesseira como
se houvesse um padrão que nos remetesse dentro de uma vida já
precisa. Ora, as pessoas com suas idealizações e formulas prontas –
sempre todo mundo sabe como ser pai, como ser irmão, como ser
marido, como ser esposa e por ai vai – se torna pessoas amarguradas
com seu próprio sentimento de duvida, sempre sabendo que o outro é
humano, que o outro não é um semideus. O sofrimento se faz porque
as pessoas não vivem o que tem para viver e deixar as mazelas do
mundo para outros que gostam de se corroer com o passado das coisas.
Umas
das coisas mais baixas que o ser humano pode ter com o outro que
desgasta e trás inúmeros sofrimentos é a duvida, sempre ficar
procurando algo no outro que não seja verdade. Nos relacionamentos
que isso acontece, ou as pessoas cansam e dão um tempo, ou
simplesmente, são refúgios para esconderem o que estão fazendo. A
insegurança é um pouco falta de autoestima, falta de conhecimento
da alma do outro, do amor que o outro te dá sem ao menos, querer
algo em troca e não é uma questão religiosa, não adianta orar
para ver se é realmente aquele que verdadeiramente é o parceiro,
mas não orar e enxergar a verdadeira face do parceiro. Não é assim
que é o amor? Confiar mais no parceiro do que confiar nas besteiras
do mundo? Aliás, o mundo nos iludi com amores idealizados, com
religiões mentirosas, com hipocrisia politica e social, o bastante
para não confiar nele e colocar ele no meio de um relacionamento.
Por isso não gosto da ideia platônica de um amor perfeito e
harmônico, um amor mais de seres angelicais e que não tenham
defeitos nenhum. Não gosto pelo simples fato que não existe, somos
humanos e erramos, somos humanos e não conseguimos enxergar a
entrada da caverna ainda, pois temos milhares de ilusões para
despertarmos de nossas amarras psicossociais. Ou não vimos pessoas a
toda hora tendo depressão? Ou não vimos toda hora psicopatas
matando aquilo que lhe incomoda, aquilo que te machuca na alma?
Existem casos – acredito que isso não seja desculpa para não
punir – de pedofilia que o agressor foi agredido, mas existe casos
que o agressor sadicamente, domina aquele ser indefeso por dentro, um
ser que ele faz o que quiser. Ou o estuprador que quer dominar a
mulher indefesa como se quisesse dominar aquilo que está te
atormentando por dentro. O ciumes é um tormento para quem sente,
porque o ciumes é a desconfiança e o querer dominar o outro como se
fosse um objeto de posse.
Mas
também a desconfiança é o querer que o outro faça o que prometeu,
achar que o outro por ter dito algo, por fazer diferente, não
cumpriu a sua palavra. As religiões pentecostais adoram esse tipo de
coisa, porque acham que a palavra é sagrada graças a uma passagem
nos evangelhos que Jesus Cristo diz que pecado não é aquilo que
entra na boca do homem e sim, aquilo que sai da boca do homem. Por
que? Ele mesmo disse que o que entra da boca do homem sai para fora,
mas o que sai é o que sai do seu coração. Ou seja, se o coração
tem ódio estará blasfemando o outro em sua liberdade, mas se diz a
verdade, a duvida peca entre a comunhão dos dois e outra coisa, as
religiões pentecostais e neopentecostais, pecam a todo momento
falando mal dizer das outras pessoas que também são filhos de Deus.
Clamam Deus para obter bens materiais, usam espíritos ignorantes
para suas artimanhas para arrecadar fieis e o mais sagrado de todos
os mandamentos – que que gostam de esfregar o evangelho nos outros
– não usar o nome do Logos sagrado, o inicio e o fim, o principio
único, em vão. Não é repetindo, gritando, dizendo varias vezes
seu nome é que vão se religar ao Logos Sagrado, sim, ter atitudes
que realmente valham a pena ser vividas e ser feitas. Um sorriso para
o outro triste já está louvando ao Logos sem ficar gritando – que
aliás, Jesus disse para orarmos conosco – como se fossem donos da
verdade.
Perdemos
a capacidade de fazer um relacionamento sagrado graças as ilusões
do mundo, o discurso do poder que não desejam unir o ser humano em
espirito, numa alma só. Não foi isso que aconteceu quando Eva
escutou a serpente e comeu o fruto proibido e a deu a Adão? A união
sagrada foi profanada por ilusões falsas que o homem e sua ganancia
colocaram como prioridade, como se fossem coisas normais e não são,
quando coisas de fora ficam entre duas almas, dois espíritos, as
escolhas ficam restritas a serem escravos de coisas que as pessoas
querem que sejamos. Fazendo isso, fazemos igual Eva fez, sucumbimos
ao que mais baixo da espiritualidade e nos colocamos como se não
fossemos dignos de uma redenção divina, pois comemos o fruto do
pecado (as ilusões do mundo) e sairmos do Paraíso (a verdadeira
espiritualidade). O casamento alquímico (que os alquimistas e os
rosa-cruzes, diziam ser o casamento da alma e do corpo), é a união
de um polo feminino e um polo masculino – mesmo nos casamentos
homoafetivos, um dos evolvidos são mais femininos e outros são mais
masculinos – que remetem em sentimento e a razão, Adão (a Terra
vermelha/a razão) e a Eva (o vivente/o sentimento). As uniões são
sagradas porque são espíritos que se ligam em igualdade, pois a
igualdade é a única maneira de entender um ao outro. As brigas é a
perca da capacidade de enxergar a alma do outro, a união entre a
capacidade de entender o outro. Não é isso que que Jesus disse para
largarmos nossos país e nos unirmos a nossa mulher ou esposo? Não é
isso que está lá nos Dez Mandamentos para crescei e multiplicarmos?
Paulo disse que quando era menino pensava igual um menino, mas quando
ficou homem, pensava igual um homem. Ou seja, nos infantilizamos,
colocamos dentro de nós coisas não sagradas e acabamos não
entendendo a verdadeira essência de uma união entre duas almas que
podem juntas, evoluírem e uma ajudar a outra.
O
amor não é a união para desenvolver o sexo, o sexo é uma
consequência dele, mas o que é verdadeiro e único, o querer ficar
no lado um do outro. As energias espirituais se unem e se atraem por
causa da sua afinidade um com o outro, o sagrado fica um só, o
matrimonio acontece como está na parte que o sacerdote diz, o que
Deus uniu o homem não consegue separar. Somente a ilusões de um
mundo insano e que, se distanciou do sagrado.
Amauri
Nolasco Sanches Júnior, 39, publicitário, técnico de informática
e filósofo.
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