Lendo um texto do colega Luiz Salvi (link do blog aqui), me
deu saudade dos tempos que eu escrevia sobre coisas muito mais profundas (que
no bacharelado a gente aprende como metafisica) e que tinha um viés mais
espiritualista. No texto chamado <<Blavatsky e Bailey: uma grande
Dialética>>, nos mostra um outro lado da dialética dentro de autores que
podem discordar – no caso dentro do movimento teosófico – e, mesmo assim, ter
uma síntese dentro do movimento sem haver um profundo rompimento desse próprio movimento.
A questão é que o colega explicou muito bem a dialética, só vou acrescentar
algo a mais dentro da questão da dialética.
Ele escreve:
<<A Filosofia Dialética pode ser vista resumidamente como análise e síntese, onde a primeira separa e disseca as coisas e a segunda as reúne e organiza, representando assim processos didáticos complementares.>>
Para entender a dialética, grosso modo, temos que entender o
sistema que a dialética não é uma filosofia e sim, uma parte da filosofia que começa
com Platão e vai dar em Marx. Ela tem a fase analítica que examina os elementos
de uma ideia, fenômeno ou sistema. A dialética para fazer essa análise, tem que
desmontar, separar e investigar as partes que constitui para entender suas características,
contradições e relações. Já a síntese é a etapa em que as partes previamente
analisas são reunidas e organizadas. Aqui, a dialética supera as contradições identificas
na análise, criando uma visão mais abrangente e integrada. A síntese não só reúne
os elementos, mas também transforma em algo novo e mais complexo.
E por que isso é importante dentro da espiritualidade? Vamos
pegar uma obra de ficção cientifica como exemplo como os Jedis e os Sith, pois,
são duas formas de enxergar a FORÇA (princípio gerador do universo). Os Jedis
representam a luz gerando paz e harmonia dentro da república galáctica (segundo
o livro O Caminho do Jedi, eles são filósofos e guardiões dos escritos sobre a
FORÇA) e os Sith, são o lado escuro onde há sentimentos bastante nocivos sobre
a paz e a harmonia. Se para os Jedis o ódio é o caminho para o lado escuro da
FORÇA, os Sith defendem que só se chega a ela, demonstrando raiva e todos os
sentimentos para sentir a FORÇA dentro de você numa maior potência. Vamos dizer
que a tese é os Jedis e a antítese é os Sith, qual seria a síntese dessa
disputa dialética? Os Jedis Cinzas. Mesmo não sendo considerados “canônicos” –
como se o ser humano não pudesse encontrar uma convergência entre os lados de
encontro – os Jedis Cinzas usam as duas doutrinas para se chegar a FORÇA. Só para
dar um exemplo, nos HQs, Ashoka Tanos (que era uma jedi) se transforma em uma
Jedi Cinza depois de ver que o erro da dominação Sith (o Império Galáctico) foi
dos mestres Jedis e suas regras rígidas (que não fizeram de Anakin Skywalker um
mestre jedi).
No caso do texto do meu colega, há uma forma dialética dentro
do movimento teosófico (que li bastante) quando podemos ler que Blavatsky –
fundadora da Teosofia – que era uma mestra de análise, se destaca em dissecar
conceitos e significados, criando um glossário e promovendo uma alfabetização de
conteúdo. Suas análises foram importantes para introduzir muitos elementos da
filosofia oriental no ocidente – depois, muitos introduziram o budismo e o
taoismo seguindo Blavatsky – despertando interesse e facilitando a compreensão mútua.
Claro, podemos destacar Schopenhauer que também demonstrou interesse por questões
orientais interessantes. E as polemicas em volta da sua obra – que não foram
poucas e tem a ver com a questões que ela expõem – que reflete a busca da
verdade sua tentativa de combinar vários conhecimentos (que obvio, a igreja
cristã não gostou).
Já Alice Bailey, digamos assim, teria uma missão espiritual
diferente. Porque, se dedicou a síntese, buscando uma compreensão mais orgânica,
prática e operacional. Sua abordagem espiritual envolvia mística interna,
ocultismo prático e conhecimento das Hierarquias. Bailey foi aluna de Blavatsky
e teve bastante influencia dentro dos seus escritos, mas, enquanto Madame
Blavatsky tinha algo mais espiritual, Bailey, era prática. Uma cuidou da parte
espiritual e a outra, cuidou das coisas práticas do mundo. Ora, a dialética beneficiou
a matéria ocultista (que gosto muito), e espiritual dentro de estudos esotéricos
quanto algo bem mais profundo dentro da alma humana.
Amauri Nolasco Sanches
Junior
– Bacharel em Filosofia,
publicitário e técnico de informática
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