quarta-feira, 26 de junho de 2024

A VISÃO DIALETICA DA ESPIRITUALIDADE

 

 



Lendo um texto do colega Luiz Salvi (link do blog aqui), me deu saudade dos tempos que eu escrevia sobre coisas muito mais profundas (que no bacharelado a gente aprende como metafisica) e que tinha um viés mais espiritualista. No texto chamado <<Blavatsky e Bailey: uma grande Dialética>>, nos mostra um outro lado da dialética dentro de autores que podem discordar – no caso dentro do movimento teosófico – e, mesmo assim, ter uma síntese dentro do movimento sem haver um profundo rompimento desse próprio movimento. A questão é que o colega explicou muito bem a dialética, só vou acrescentar algo a mais dentro da questão da dialética.

Ele escreve:

 

<<A Filosofia Dialética pode ser vista resumidamente como análise e síntese, onde a primeira separa e disseca as coisas e a segunda as reúne e organiza, representando assim processos didáticos complementares.>>

 

Para entender a dialética, grosso modo, temos que entender o sistema que a dialética não é uma filosofia e sim, uma parte da filosofia que começa com Platão e vai dar em Marx. Ela tem a fase analítica que examina os elementos de uma ideia, fenômeno ou sistema. A dialética para fazer essa análise, tem que desmontar, separar e investigar as partes que constitui para entender suas características, contradições e relações. Já a síntese é a etapa em que as partes previamente analisas são reunidas e organizadas. Aqui, a dialética supera as contradições identificas na análise, criando uma visão mais abrangente e integrada. A síntese não só reúne os elementos, mas também transforma em algo novo e mais complexo.

 

E por que isso é importante dentro da espiritualidade? Vamos pegar uma obra de ficção cientifica como exemplo como os Jedis e os Sith, pois, são duas formas de enxergar a FORÇA (princípio gerador do universo). Os Jedis representam a luz gerando paz e harmonia dentro da república galáctica (segundo o livro O Caminho do Jedi, eles são filósofos e guardiões dos escritos sobre a FORÇA) e os Sith, são o lado escuro onde há sentimentos bastante nocivos sobre a paz e a harmonia. Se para os Jedis o ódio é o caminho para o lado escuro da FORÇA, os Sith defendem que só se chega a ela, demonstrando raiva e todos os sentimentos para sentir a FORÇA dentro de você numa maior potência. Vamos dizer que a tese é os Jedis e a antítese é os Sith, qual seria a síntese dessa disputa dialética? Os Jedis Cinzas. Mesmo não sendo considerados “canônicos” – como se o ser humano não pudesse encontrar uma convergência entre os lados de encontro – os Jedis Cinzas usam as duas doutrinas para se chegar a FORÇA. Só para dar um exemplo, nos HQs, Ashoka Tanos (que era uma jedi) se transforma em uma Jedi Cinza depois de ver que o erro da dominação Sith (o Império Galáctico) foi dos mestres Jedis e suas regras rígidas (que não fizeram de Anakin Skywalker um mestre jedi).

No caso do texto do meu colega, há uma forma dialética dentro do movimento teosófico (que li bastante) quando podemos ler que Blavatsky – fundadora da Teosofia – que era uma mestra de análise, se destaca em dissecar conceitos e significados, criando um glossário e promovendo uma alfabetização de conteúdo. Suas análises foram importantes para introduzir muitos elementos da filosofia oriental no ocidente – depois, muitos introduziram o budismo e o taoismo seguindo Blavatsky – despertando interesse e facilitando a compreensão mútua. Claro, podemos destacar Schopenhauer que também demonstrou interesse por questões orientais interessantes. E as polemicas em volta da sua obra – que não foram poucas e tem a ver com a questões que ela expõem – que reflete a busca da verdade sua tentativa de combinar vários conhecimentos (que obvio, a igreja cristã não gostou).

Já Alice Bailey, digamos assim, teria uma missão espiritual diferente. Porque, se dedicou a síntese, buscando uma compreensão mais orgânica, prática e operacional. Sua abordagem espiritual envolvia mística interna, ocultismo prático e conhecimento das Hierarquias. Bailey foi aluna de Blavatsky e teve bastante influencia dentro dos seus escritos, mas, enquanto Madame Blavatsky tinha algo mais espiritual, Bailey, era prática. Uma cuidou da parte espiritual e a outra, cuidou das coisas práticas do mundo. Ora, a dialética beneficiou a matéria ocultista (que gosto muito), e espiritual dentro de estudos esotéricos quanto algo bem mais profundo dentro da alma humana.

 

Amauri Nolasco Sanches Junior

– Bacharel em Filosofia, publicitário e técnico de informática

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