domingo, 13 de setembro de 2015

∞ __∞((Deus e o Nada))∞__∞



Umas das coisas que mais gosto de fazer é observar as pessoas e o que elas expressam, isso poderá sempre dizer o que elas sentem e o que o ser humano é. As pessoas me passam muito barulho, sempre temos que nos comunicar, falar demais dizendo coisa nenhuma. Verdade. Tudo que nós dissermos não vale nada e não é a verdade sobre algo, pois a verdade não pode ser compreendida por mentes ainda condicionadas dentro da ilusão. O que digo agora pode não ser a verdade, pode ser uma ilusão minha pensando dizer a verdade, pois penso estar na realidade, mas não estou em nenhuma realidade. As realidades somem. As realidades mudam. Não estamos em nada pensando estar em algo, mas esse algo está muito além do que pensamos estar.
Querem um exemplo? Eu gosto de ouvir a banda Iron Maiden, não porque não gosto de ficar no silencio, gosto do Iron Maiden porque gosto dos ritmos das musicas. Mas a maioria gosta do Iron Maiden porque não aguentam ficar consigo mesmo, porque o EU tem conotações muito mais profundas do que as pessoas pensar ter. A razão já é algo logico e não existe escapatória, não existe outra conotação além aquilo que são essas conotações, pois muitas vezes, só são nossas próprias “verdades”. Por isso a filosofa existencialista Simone de Beavoir vai dizer que as mulheres não nascem mulheres, elas se tornam mulheres, pois elas são produto do meio que nascem. Seja deficiente, seja mulher, seja negro, branco, amarelo, vermelho, todos são o que as pessoas fazem dela o que são e não o que ela realmente é. Apenas em um só sorriso vai te mostrar o que realmente é e não é.
Outro exemplo é bem simples e pode demonstrar o que realmente mostra o quanto somos simples criaturas. Toda sexta feira eu vou na fisioterapia aqui perto da minha casa, pois minha deficiência – que aprendi a aceitar sem problemas, mas deve fazer sempre fisioterapia de manutenção para não doer as articulações – mesmo não sendo progressiva, merece algum cuidado. Na mesma van que eu vou, vai uma senhora e um senhor, pois a senhora ficou deficiente após complicações (não sei quais são). O fato é que o senhor nunca está com cara feia e sempre solta um sorriso, ou um “bom dia”, como se tivesse aproveitado mesmo a vida e se morresse amanhã, nenhum remorso sentiria. Isso lembra meu avô Genaro que era italiano da Calabria, nasceu em uma fazenda, não gostava do Mussolini (Ducha), mas reconhecia alguma coisa que fez como a reforma agraria italiana. Lutou na Segunda Guerra mundial no lado do eixo, foi para invasão da Albania que custou para Hitler salvar os italianos e o Ducha, viu coisas maravilhosas e historias magnificas de vida e sempre estava sorrindo, sempre estava passeando. Morreu paralitico em uma cama de hospital, mas eu sei que não se arrependeu de nada, talvez, frustrei ele em não poder andar de bicicleta como ele tanto queria. Mesmo assim eu era o neto que ele contava as coisas intimas e o que ele pensava, era um grande homem, com o sorriso de uma vida vencida. Hoje ele é uma lembrança gostosa e ficou eterno no tempo e no espaço, como minha mãe – filha dele – que morreu numa cama de câncer, o mesmo que minha tia – irmã do meu pai – que também morreu de câncer e a outra tia minha que era irmã da minha mãe. Nada. Restou o nada para ter pelo menos aqui presente, o agora, neste instante.
No budismo chamamos o nada de surya, ou seja, aquilo que não existe e é imanifesto. No budismo não existe Deus, não porque seja ateu, mas porque Deus está muito acima do que chamamos realidade. Jesus pode ser Deus. Buda Shakiamuni pode ser Deus. Todos os seres que despertaram para a realidade além do que vimos e sentimos, pode ser o deus de alguma religião, mas não é o ser supremo que construiu todo o universo. Ele não é, ele não pode ser um ser, ele é o não real, a não existência, é o NADA. Ele não existe, porque não podemos definir ele em termos humanos e não descrever ele com sentimentos humanos, ele é a sutileza de algo além do que não é. Mas esse ser é o não manifestado, porque ele não precisa ser ou existir para perceber, pois ele é da natureza que é, ele é o que é. Na bíblia está isso, quando Deus fez o céu e a terra a terra estava sem forma e o espirito de Deus pairava sobre as águas, pois havia trevas. A escuridão é uma coisa sem forma, sem luz e a luz que dá forma as coisas, então, Deus formou a luz que formou as coisas. Ele estava no NADA e no NADA criou o tudo que existe, mas ele só tem a consciência de um ser onisciente e ele não pode ser descrito, pois não tem forma e nem necessidade de uma forma. O que é uma forma? Não é nada se não vimos e não entendemos, pois não existe sem o entendimento daquela forma, do objetivo daquela forma.
Um objeto deve ter luz e entendimento, se não tem entendimento não existirá. Os índios não tinham entendimento das caravelas europeias e elas para a América, não existia, não era uma realidade para os povos nativos dessa região. O vazio faz parte do universo no mesmo modo que a matéria e deve ser encarado, porque o vazio é o inverso da matéria, porque o equilíbrio se faz necessário dentro desse universo que vivemos. Só se sente Deus (eu gosto de chamar de Logos que significa razão a partir do filosofo grego Heráclito), quando você se esvazia das formas que a sociedade vai transformando uma coisa simples, a razão de tudo que existe, em algo burocratizado que trás certezas artificialmente. Fácil detectar isso nas falas espirituais de Jesus Cristo, quando ele fala das simplicidades da vida e diz que o único mandamento que estabelecia era amar uns aos outros como ele tinha amado, porque o amor é o vazio de conceitos, o vazio é a quebra de certezas e o amor é o caminho da construção de evoluir em comunhão entre você e o o Logos. Alás, a crucificação mostra o vazio da morte e o esvaziamento e todas as certezas que o homem tem em vida, porque passa para outra realidade, aquela realidade não pode ser porque ela foi e não sera mais, as coisas fluem em mudanças e desapegos, em a única essência humana, a nossa. Tudo que aprendemos, tudo que somos, tudo que acreditamos, seremos sempre únicos dentro de tudo que existe. Jesus ficou no vazio e após três dias voltou para mostrar a sua essência – se foi em espirito ou em corpo é uma outra discussão – mas ele voltou do vazio, ele voltou consigo e fez o povo ver que existe cada um a sua essência, a sua determinação e missão.
Há duvidas porque há muitas coisas que não fazem parte das leis universais e nem das divinas e muito menos, se fomos longe foi isso que nos tirou do paraíso, dentro de cada um dentro da sua historia. O poder disse para cada povo o que acreditar, disse para cada povo o que seguir e as ideologias nos quais deveriam ter, mas não é a essência, a essência é mais do que isso. É o vazio.
Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, técnico de informática e filosofo.



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