Umas das coisas que mais gosto de fazer é observar as pessoas e o
que elas expressam, isso poderá sempre dizer o que elas sentem e o
que o ser humano é. As pessoas me passam muito barulho, sempre
temos que nos comunicar, falar demais dizendo coisa nenhuma. Verdade.
Tudo que nós dissermos não vale nada e não é a verdade sobre
algo, pois a verdade não pode ser compreendida por mentes ainda
condicionadas dentro da ilusão. O que digo agora pode não ser a
verdade, pode ser uma ilusão minha pensando dizer a verdade, pois
penso estar na realidade, mas não estou em nenhuma realidade. As
realidades somem. As realidades mudam. Não estamos em nada pensando
estar em algo, mas esse algo está muito além do que pensamos estar.
Querem um exemplo? Eu gosto de ouvir a banda Iron Maiden, não porque
não gosto de ficar no silencio, gosto do Iron Maiden porque gosto
dos ritmos das musicas. Mas a maioria gosta do Iron Maiden porque não
aguentam ficar consigo mesmo, porque o EU tem conotações muito mais
profundas do que as pessoas pensar ter. A razão já é algo logico e
não existe escapatória, não existe outra conotação além aquilo
que são essas conotações, pois muitas vezes, só são nossas
próprias “verdades”. Por isso a filosofa existencialista Simone
de Beavoir vai dizer que as mulheres não nascem mulheres, elas se
tornam mulheres, pois elas são produto do meio que nascem. Seja
deficiente, seja mulher, seja negro, branco, amarelo, vermelho, todos
são o que as pessoas fazem dela o que são e não o que ela
realmente é. Apenas em um só sorriso vai te mostrar o que realmente
é e não é.
Outro exemplo é bem simples e pode demonstrar o que realmente mostra
o quanto somos simples criaturas. Toda sexta feira eu vou na
fisioterapia aqui perto da minha casa, pois minha deficiência –
que aprendi a aceitar sem problemas, mas deve fazer sempre
fisioterapia de manutenção para não doer as articulações –
mesmo não sendo progressiva, merece algum cuidado. Na mesma van que
eu vou, vai uma senhora e um senhor, pois a senhora ficou deficiente
após complicações (não sei quais são). O fato é que o senhor
nunca está com cara feia e sempre solta um sorriso, ou um “bom
dia”, como se tivesse aproveitado mesmo a vida e se morresse
amanhã, nenhum remorso sentiria. Isso lembra meu avô Genaro que era
italiano da Calabria, nasceu em uma fazenda, não gostava do
Mussolini (Ducha), mas reconhecia alguma coisa que fez como a reforma
agraria italiana. Lutou na Segunda Guerra mundial no lado do eixo,
foi para invasão da Albania que custou para Hitler salvar os
italianos e o Ducha, viu coisas maravilhosas e historias magnificas
de vida e sempre estava sorrindo, sempre estava passeando. Morreu
paralitico em uma cama de hospital, mas eu sei que não se arrependeu
de nada, talvez, frustrei ele em não poder andar de bicicleta como
ele tanto queria. Mesmo assim eu era o neto que ele contava as coisas
intimas e o que ele pensava, era um grande homem, com o sorriso de
uma vida vencida. Hoje ele é uma lembrança gostosa e ficou eterno
no tempo e no espaço, como minha mãe – filha dele – que morreu
numa cama de câncer, o mesmo que minha tia – irmã do meu pai –
que também morreu de câncer e a outra tia minha que era irmã da
minha mãe. Nada. Restou o nada para ter pelo menos aqui presente, o
agora, neste instante.
No budismo chamamos o nada de surya, ou seja, aquilo que não existe
e é imanifesto. No budismo não existe Deus, não porque seja ateu,
mas porque Deus está muito acima do que chamamos realidade. Jesus
pode ser Deus. Buda Shakiamuni pode ser Deus. Todos os seres que
despertaram para a realidade além do que vimos e sentimos, pode ser
o deus de alguma religião, mas não é o ser supremo que construiu
todo o universo. Ele não é, ele não pode ser um ser, ele é o não
real, a não existência, é o NADA. Ele não existe, porque não
podemos definir ele em termos humanos e não descrever ele com
sentimentos humanos, ele é a sutileza de algo além do que não é.
Mas esse ser é o não manifestado, porque ele não precisa ser ou
existir para perceber, pois ele é da natureza que é, ele é o que
é. Na bíblia está isso, quando Deus fez o céu e a terra a terra
estava sem forma e o espirito de Deus pairava sobre as águas, pois
havia trevas. A escuridão é uma coisa sem forma, sem luz e a luz
que dá forma as coisas, então, Deus formou a luz que formou as
coisas. Ele estava no NADA e no NADA criou o tudo que existe, mas ele
só tem a consciência de um ser onisciente e ele não pode ser
descrito, pois não tem forma e nem necessidade de uma forma. O que é
uma forma? Não é nada se não vimos e não entendemos, pois não
existe sem o entendimento daquela forma, do objetivo daquela forma.
Um objeto deve ter luz e entendimento, se não tem entendimento não
existirá. Os índios não tinham entendimento das caravelas
europeias e elas para a América, não existia, não era uma
realidade para os povos nativos dessa região. O vazio faz parte do
universo no mesmo modo que a matéria e deve ser encarado, porque o
vazio é o inverso da matéria, porque o equilíbrio se faz
necessário dentro desse universo que vivemos. Só se sente Deus (eu
gosto de chamar de Logos que significa razão a partir do filosofo
grego Heráclito), quando você se esvazia das formas que a sociedade
vai transformando uma coisa simples, a razão de tudo que existe, em
algo burocratizado que trás certezas artificialmente. Fácil
detectar isso nas falas espirituais de Jesus Cristo, quando ele fala
das simplicidades da vida e diz que o único mandamento que
estabelecia era amar uns aos outros como ele tinha amado, porque o
amor é o vazio de conceitos, o vazio é a quebra de certezas e o
amor é o caminho da construção de evoluir em comunhão entre você
e o o Logos. Alás, a crucificação mostra o vazio da morte e o
esvaziamento e todas as certezas que o homem tem em vida, porque
passa para outra realidade, aquela realidade não pode ser porque ela
foi e não sera mais, as coisas fluem em mudanças e desapegos, em a
única essência humana, a nossa. Tudo que aprendemos, tudo que
somos, tudo que acreditamos, seremos sempre únicos dentro de tudo
que existe. Jesus ficou no vazio e após três dias voltou para
mostrar a sua essência – se foi em espirito ou em corpo é uma
outra discussão – mas ele voltou do vazio, ele voltou consigo e
fez o povo ver que existe cada um a sua essência, a sua determinação
e missão.
Há duvidas porque há
muitas coisas que não fazem parte das leis universais e nem das
divinas e muito menos, se fomos longe foi isso que nos tirou do
paraíso, dentro de cada um dentro da sua historia. O poder disse
para cada povo o que acreditar, disse para cada povo o que seguir e
as ideologias nos quais deveriam ter, mas não é a essência, a
essência é mais do que isso. É o vazio.
Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, técnico de
informática e filosofo.
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