sábado, 17 de outubro de 2015

A Síndrome de Sísifo







Sísifo e sua eterna tarefa 






uma incrível diferença entre o que acreditamos ser real e o que é real, isso sem sombras de duvidas, mas entre o pessoal que insiste em dar uma interpretação de tudo segundo na qual, suas próprias convicções. Mas de onde as pessoas tiram seus conceitos que sempre dará o conflito com realidade e não realidade? Vamos no começo. Sísifo foi castigado pelos deuses – diz algumas versões por Hades e Perséfone – por ter desobedecido os deuses em rolar uma rocha gigante, pela montanha acima por toda a eternidade, pois quando chegava no topo, a rocha descia de volta. Como disse Camus, Sísifo ao olhar a rocha, deslumbrar ela em voltar sempre e sempre a torna trazê-la no topo da montanha, ele deslumbra o nada. Ele mesmo dizia (Camus), que uma vida bem vivida era uma vida sem sentido. Afinal, um sentido em uma vida que você vive 70 em media e no fim morre? Se pensarmos direito vamos ver que a nossa vida toda é em busca de coisas inúteis e sem proposito de crescimento para nós, sempre buscamos coisas materiais e sempre vamos ser escravos do sistema. Não adianta vim com esse papo de que procura evidencias, estuda casos de OVINIs, estuda a espiritualidade, estuda fenômenos metafísicos e ainda ouve cultura de massa e vê novela, nada adianta. Também fica reclamando do governo e nada faz para o progresso humano e para despertar a consciência da maioria, apenas compartilha, entender é muito além disso.
Quando não temos sentido (verdades) de tudo, esquecemos que esse sentido não é para nosso progresso, esse sentido é para o proposito que o poder o quer sempre para ser seu escravo. Quer uma coisa básica? Vamos pegar as duas maiores campanhas televisivas que está sempre em evidencia o Criança Esperança e o Teleton. Qual a diferença entre as duas? Uma é organizada pela UNICEF que arrecada milhões para ajudar (assim dizem), crianças pelo mundo e pelo Brasil e a outra, é organizada pela AACD (Associação a Assistência as Crianças Deficientes) e tem o intuito a ajudar crianças deficientes ou criar novas unidades da própria entidade. As duas mostram apenas imagens e fotos. As duas são veiculadas dentro das maiores emissoras do Brasil (SBT e Globo). Mas misteriosamente a campanha Criança Esperança cai em descredito e é duramente criticada enquanto o Teleton, ninguém mexe ou dá nenhuma opinião negativa sobre isso. Ou o povo acha que só porque as crianças são deficientes e são intocáveis, ou simplesmente, caímos na síndrome de Sísifo que sempre vamos levar a “rocha” da ignorância suprema. Esse povo não analisa que os dois casos são idênticos? Os dois casos são pelo dinheiro? Claro. Não existe só essa entidade para deficientes como existem outros órgãos muito mais competentes do que a UNICEF, isso tem que ficar claro dentro da “cabecinha” do pessoal que só critica por questões obvias, o outro disse.
Não ter sentido não é ser indiferente, não ter sentido é não ter as amarras dos conceitos que a maioria tem. Por que tenho que acreditar em alguma coisa porque alguém me falou? Por que tenho que ter uma opinião sobre tudo e todos? As vezes, você quer que o mundo se exploda e vai ler algo que você goste, ou vai ver coisas que te agradam, mas quando a vida faz sentido, ela se torna algo tenebroso e escravizado. Não é à toa que eu gosto tanto do budismo, gosto também do espiritismo, porque são duas correntes independentes de qualquer um que queira impor algo. Jesus Cristo também não impôs nada, mas os teólogos se apropriaram dos seus ensinamentos e não o ensinam como deve ser. A esperança não evolui o homem, mas o desespero faz do homem um ser superior, um espirito forte, um ser sublime que não há sentido em coroar como um ser racional. A racionalidade não tem nada a ver com a lógica, a lógica quer dar sentido sobre tudo, sentido do universo, sentido das estrelas, até mesmo, um sentido para o ser humano. A racionalidade cética e cínica – não o sentido do cínico moderno que faz ironias de tudo e todos, mas no fundo, não entende nem o que está falando – que vê que a realidade não é realidade, são momentos dentro de uma vivencia. O ser humano não faz suas ações porque é certo fazê-las ou que é ético, ele faz por pura aparência, aquilo acontece por pura vaidade e vaidade é uns dos pecados capitais. Não é isso que as igrejas cristãs pregam? Mas a maioria das pessoas fazem exatamente isso, ajudam, doam, fazem as coisas e mostram por pura vaidade e isso ainda é esperança e pela esperança não temos a redenção. A beatitude é o desespero, a beatitude é o sem-sentido da vida, pois os que ascensionaram só viam o agora, todos os mestres não se preocuparam com o amanhã.
Mas o que é o amanhã se ele não existe? O que achamos que estamos fazendo no mundo? Não me interessa se o homem pousou ou não na lua, se há ou não vida em Marte, ou se os EUA está mentindo quanto a isso, não vai mudar a vida de ninguém isso e não vai acabar com a “empáfia” de achar que Deus todo poderoso, onipresente, precisa de um representante. Os ateus e os religiosos são dois lados da mesma moeda, todos tem esperança, mas não há esperança por uma humanidade perdida. Por que perdida? Porque há milhões de Sísifos que carregam suas rochas montanha acima, mas não vão conseguir porque a rocha sempre volta, porque a culpa é a desobediência da vida daquilo que não há escapatória. As depressões e a sensação de solidão é a incapacidade de ver que não estamos sós, somos alguém, mas queremos sempre manter esses personagens sem sentido que assumimos dentro dessa sociedade. O Facebook está cheio de pessoas que querem aparecer por um instante, ou por muito tempo, dando milhões de opiniões, achando que o mundo deve aceitar suas teorias absurdas e de teor de esperança. A desgraça humana é ter esperança de um dia melhor, mas melhor só não esperar nada, não temos nada, não somos nada, apenas mais um em vida, mais um espermatozoide que fecundou um ovulo.
As pessoas não enxergam que a realidade exige muito mais coragem de encarar do que uma realidade virtual (aparente), o que os hindus dizem ser o “maya”, ou seja, a ilusão aparente. Ilusões de uma mente condicionada em ver sentido, obter resposta. Qual a resposta verdadeira? Qual é a falsa? Não há diferença do ponto ético como não há diferença do ponto ético entre a realidade e a não realidade, não há realidade fixa, mas nossos próprio valores que criamos em tudo que vimos e sentimos. Um cavaleiro templário (que eram monges treinados), viam o cristianismo de uma maneira, hoje se enxerga o cristianismo de outra maneira e os discípulos de Jesus Cristo, viam de outra maneira. São muitas visões de um mesmo proposito, que se distanciam de repente, por causa dos valores emitidos nesse mesmo proposito. Diferença subjetivas de um objetivo. Existir faz sentido. Só existir.




Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário e TI, filósofo e escritor. 

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