| Sísifo e sua eterna tarefa |
Há
uma incrível diferença entre o que acreditamos ser real e o que é
real, isso sem sombras de duvidas, mas há
entre o pessoal que insiste em dar uma interpretação de tudo
segundo na qual, suas próprias convicções. Mas de onde as pessoas
tiram seus conceitos que sempre dará o conflito com realidade e não
realidade? Vamos no começo. Sísifo foi castigado pelos deuses –
diz algumas versões por Hades e Perséfone – por ter desobedecido
os deuses em rolar uma rocha gigante, pela montanha acima por toda a
eternidade, pois quando chegava no topo, a rocha descia de volta.
Como disse Camus, Sísifo ao olhar a rocha, deslumbrar ela em voltar
sempre e sempre a torna trazê-la no topo da montanha, ele deslumbra
o nada. Ele mesmo dizia (Camus), que uma vida bem vivida era uma vida
sem sentido. Afinal, há um
sentido em uma vida que você vive 70 em media e no fim morre? Se
pensarmos direito vamos ver que a nossa vida toda é em busca de
coisas inúteis e sem proposito de crescimento para nós, sempre
buscamos coisas materiais e sempre vamos ser escravos do sistema. Não
adianta vim com esse papo de que procura evidencias, estuda casos de
OVINIs, estuda a espiritualidade, estuda fenômenos metafísicos e
ainda ouve cultura de massa e vê novela, nada adianta. Também fica
reclamando do governo e nada faz para o progresso humano e para
despertar a consciência da maioria, apenas compartilha, entender é
muito além disso.
Quando
não temos sentido (verdades) de tudo, esquecemos que esse sentido
não é para nosso progresso, esse sentido é para o proposito que o
poder o quer sempre para ser seu escravo. Quer uma coisa básica?
Vamos pegar as duas maiores campanhas televisivas que está sempre em
evidencia o Criança Esperança e o Teleton. Qual a diferença entre
as duas? Uma é organizada pela UNICEF que arrecada milhões para
ajudar (assim dizem), crianças pelo mundo e pelo Brasil e a outra, é
organizada pela AACD (Associação a Assistência as Crianças
Deficientes) e tem o intuito a ajudar crianças deficientes ou criar
novas unidades da própria entidade. As duas mostram apenas imagens e
fotos. As duas são veiculadas dentro das maiores emissoras do Brasil
(SBT e Globo). Mas misteriosamente a campanha Criança Esperança cai
em descredito e é duramente criticada enquanto o Teleton, ninguém
mexe ou dá nenhuma opinião negativa sobre isso. Ou o povo acha que
só porque as crianças são deficientes e são intocáveis, ou
simplesmente, caímos na síndrome de Sísifo que sempre vamos levar
a “rocha” da ignorância suprema. Esse povo não analisa que os
dois casos são idênticos? Os dois casos são pelo dinheiro? Claro.
Não existe só essa entidade para deficientes como existem outros
órgãos muito mais competentes do que a UNICEF, isso tem que ficar
claro dentro da “cabecinha” do pessoal que só critica por
questões obvias, o outro disse.
Não
ter sentido não é ser indiferente, não ter sentido é não ter as
amarras dos conceitos que a maioria tem. Por que tenho que acreditar
em alguma coisa porque alguém me falou? Por que tenho que ter uma
opinião sobre tudo e todos? As vezes, você quer que o mundo se
exploda e vai ler algo que você goste, ou vai ver coisas que te
agradam, mas quando a vida faz sentido, ela se torna algo tenebroso e
escravizado. Não é à toa que eu gosto tanto do budismo, gosto
também do espiritismo, porque são duas correntes independentes de
qualquer um que queira impor algo. Jesus Cristo também não impôs
nada, mas os teólogos se apropriaram dos seus ensinamentos e não o
ensinam como deve ser. A esperança não evolui o homem, mas o
desespero faz do homem um ser superior, um espirito forte, um ser
sublime que não há
sentido em coroar como um ser racional. A racionalidade não tem nada
a ver com a lógica, a lógica quer dar sentido sobre tudo, sentido
do universo, sentido das estrelas, até mesmo, um sentido para o ser
humano. A racionalidade cética e cínica – não o sentido do
cínico moderno que faz ironias de tudo e todos, mas no fundo, não
entende nem o que está falando – que vê que a realidade não é
realidade, são momentos dentro de uma vivencia. O ser humano não
faz suas ações porque é certo fazê-las ou que é ético, ele faz
por pura aparência, aquilo acontece por pura vaidade e vaidade é
uns dos pecados capitais. Não é isso que as igrejas cristãs
pregam? Mas a maioria das pessoas fazem exatamente isso, ajudam,
doam, fazem as coisas e mostram por pura vaidade e isso ainda é
esperança e pela esperança não temos a redenção. A beatitude é
o desespero, a beatitude é o sem-sentido da vida, pois os que
ascensionaram só viam o agora, todos os mestres não se preocuparam
com o amanhã.
Mas
o que é o amanhã se ele não existe? O que achamos que estamos
fazendo no mundo? Não me interessa se o homem pousou ou não na lua,
se há
ou não vida em Marte, ou se os EUA está mentindo quanto a isso, não
vai mudar a vida de ninguém isso e não vai acabar com a “empáfia”
de achar que Deus todo poderoso, onipresente, precisa de um
representante. Os ateus e os religiosos são dois lados da mesma
moeda, todos tem esperança, mas não há
esperança por uma humanidade perdida. Por que perdida? Porque há
milhões de Sísifos que carregam suas rochas montanha acima, mas não
vão conseguir porque a rocha sempre volta, porque a culpa é a
desobediência da vida daquilo que não há
escapatória. As depressões e a sensação de solidão é a
incapacidade de ver que não estamos sós, somos alguém, mas
queremos sempre manter esses personagens sem sentido que assumimos
dentro dessa sociedade. O Facebook está cheio de pessoas que querem
aparecer por um instante, ou por muito tempo, dando milhões de
opiniões, achando que o mundo deve aceitar suas teorias absurdas e
de teor de esperança. A desgraça humana é ter esperança de um dia
melhor, mas melhor só não esperar nada, não temos nada, não somos
nada, apenas mais um em vida, mais um espermatozoide que fecundou um
ovulo.
As
pessoas não enxergam que a realidade exige muito mais coragem de
encarar do que uma realidade virtual (aparente), o que os hindus
dizem ser o “maya”, ou seja, a ilusão aparente. Ilusões de uma
mente condicionada em ver sentido, obter resposta. Qual a resposta
verdadeira? Qual é a falsa? Não há
diferença do ponto ético como não há
diferença do ponto ético entre a realidade e a não realidade, não
há
realidade fixa, mas nossos próprio valores que criamos em tudo que
vimos e sentimos. Um cavaleiro templário (que eram monges
treinados), viam o cristianismo de uma maneira, hoje se enxerga o
cristianismo de outra maneira e os discípulos de Jesus Cristo, viam
de outra maneira. São muitas visões de um mesmo proposito, que se
distanciam de repente, por causa dos valores emitidos nesse mesmo
proposito. Diferença subjetivas de um objetivo. Existir faz sentido.
Só existir.
Amauri
Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário e TI, filósofo e escritor.
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