O que é um fator concreto? Uma pergunta que pode ser respondida com
uma simples resposta, ou simples palavras como realidade objetiva de
uma vida. Mas uma simples pergunta não é questão de uma simples
resposta, o objetivo não pode ser o objetivado, a consciência que
possa tomar uma decisão de ação ou de inercia. Nisso podemos
claramente, numa forma critica, o que essa pergunta consiste num
proposito para quem faz a pergunta e para quem essa pergunta se
dirige como se, que perguntou, quisesse uma resposta de quem a
pergunta pertence. Ora, quem pergunta dá a aquele que perguntou uma
decisão que consiste numa ação objetiva em responder a pergunta e
a fazer o que respondeu a pergunta, num modo objetivo. Podemos
começar com a analise etimológica da pergunta como objetivo
concreto.
Quando colocamos “o que é” queremos sempre esperar uma
explicação sobre o objetivo da pergunta, pois sempre “o que é”
é a ação de querer entender o objeto perguntado. Por exemplo, se
perguntamos: “O que é um gato?”, podemos concluir que não vimos
nenhum gato em toda nossa vida e queremos saber o que é um gato. Tem
colegas meus que já perguntaram “o que é” um escorpião, sendo
que a pessoa nunca tinha visto um escorpião na vida e assim, não
sabe o que é o aracnídeo escorpião. O “é” sendo uma
característica única e dentro daquilo que é objetivo, pois o “é”
da pergunta quer saber a caracterização daquilo que se quer saber,
que nesse caso o “fator concreto”. Mas se perguntarmos para
determinado ente assim: “Como é o gato?”, dai colocamos em
questão as características particulares de um gato ou a própria
raça do mesmo. Porque o “como” dá uma explicação de valores
dentro da caracterização do objeto que queremos saber em questão,
sendo junto com o “é”, dará uma determinação quase imperativa
da questão em si. Já “o que” dará uma caracterização no “que
é” aquilo que é perguntado como se quem perguntou quisesse saber
não uma característica particular, mas uma característica do
objeto como um TODO. Linguisticamente, esse “é” é um agente de
determinação de uma característica única, como se determinasse
aquilo e nada mais é do que aquilo, a essência. Esse “um”
carateriza um numero e ao mesmo tempo, a única unidade que o objeto
pode ter com essência característica, “um bolo” não pode ser
“uma torta”, em essência ele é único em todo universo. Então,
“um fator concreto” não pode ser outra coisa do que um “fator
concreto” que pode ter varias conotações como iremos ver.
O termo “fator” vem do latim “factor” quer quer dizer “aquele
que faz” ou “criador”, ou seja, podemos ser criadores de fatos
concretos dentro de tudo que fazemos. Já o termo “concreto” vem
do latim “concretus”, principio do passado de “concrecere”
que quer dizer “crescer em conjunto, aumentar por processo de
agregação” formada por com-,
“junto” mais crecere,
“aumentar, crescer”. Quando a pergunta “o que é um fator
concreto?” é feita, poderemos responder que esse “fator
concreto” pode ser uma construção de um crescimento em conjunto
com outra pessoa. Um conjunto de objetivos que levarão a algum
objetivo, sempre esse objetivo terá a ver com os valores que
construíram a moral de cada um desse indivíduos como um TODO. Se
lhe perguntarem “Qual seu fator concreto?” isso depende qual o
fator (criar) está nessa pergunta como formas objetivas de se criar
um crescimento pessoal, uma criação daquilo que pode ajudar ao
crescimento. Talvez, um desses fatores que são para nosso
crescimento é o “conhecer a ti mesmo” que tanto vimos dentro de
milhões de livros e artigos sobre o filósofo grego Sócrates, ou
dentro da caracterização do Oraculo de Delfos – oraculo destinado
ao deus Apolo.
Mas o termo latino concretus
quer dizer “misturado, fundido, composto, combinado” que dará
outro rumo em nossa analise, pois podemos dizer que a resposta pode
ser além do que criar um crescimento e sim, criar uma combinação
para se construir um fato. Fato vem do termo latino factum
que quer dizer “aquilo que se
fez, façanha, proeza, acto”, ou seja, podemos dizer que fato é um
acto ou ato, ação. Enquanto um “fator” é o “criar” ou é o
“elemento que dará o resultado”, o fato é o “acto” que é a
essência da ação, ou seja, poderíamos colocar o “fato concreto”
ou “o fato do fator concreto”. Mas o sujeito que pergunta não
coloca “o fato” e sim, “o fator” como elemento decisivo da
sua duvida.
Mas o locutor da pergunta pode mudar
e dizer: “eu quero um fato concreto para nós”, então, dai a
pergunta vira um fato imperativo de querer saber o que dará rumo a
algo. O “eu” é o sujeito e é o ente que faz a pergunta, ou
seja, o ente consciente ou consciência que quer uma definição,
porque “querer” vem do verbo “quer” e vem do desejo da
consciência. Se “quero” é porque desejo tal resposta, se desejo
tal resposta tenho a consciência que o outro (ente) que fiz a
pergunta ou a afirmação, entendeu o que quero saber. A substancia
da duvida é o desejo de obter uma resposta, a substancia do desejo
de querer algo é o desejo que esse algo deva ser alcançado. A
pergunta: “o que é um fator concreto?” fica evidente quando
chegamos a conclusão que a resposta é “aquilo que se pode vê”,
ou seja, o sujeito que tanto faz a pergunta, quanto que pode dar a
resposta. Mas “pode vê” também “pode não vê”, então,
entramos no lado subjetivo que tem os valores morais que se recebeu e
se entra no universo abstrato. Abstrato é uma separação ou algo
que não podemos entender, ou seja, tudo que não conseguimos provar
um “fator concreto” se transforma em um “fator abstrato”.
Ora, se o “fator concreto” é ser o criador de uma determinação
(aquilo que se pode vê), o “fator abstrato” e criar aquilo que
não entende (aquilo que não se pode vê). Sempre “aquilo que não
se pode vê” chamamos de fantasia, ou seja, aquilo que acreditamos
ser uma ilusão por não entender. Ilusão vem do latim iludo
que era enganar, mas era
composto do prefixo in junto
com o verbo ludo que
quer dizer “eu brinco” que vem a palavra lúdico. Ilusão é se
enganar com fatos (acto) que podem ser “fatores abstratos” e não
“fatores concretos”. O “fator” em sua essência, contem
naturalmente a determinação e o “fato” em sua essência, vai
conter naturalmente o acto. A determinação (o acto de determinar),
qualifica o “fator” que é ou não é o “concreto”, ou seja,
se é o “fator” é “concreto” e se não, o “fator” é
“abstrato”. O que é “concreto” (determinado) não pode ser
“abstracto” (difícil de compreender).
A determinação é algo que podemos chamar de real, que podemos
compreender, porque tudo que não compreendemos como uma ação ou um
ato – aquilo que vimos ou tocamos – não podemos determinar como
“fato” ou “fator”. O “fator concreto” é compreendido,
visto, talvez até mesmo, tocado como algo que conseguimos entender.
Quando não, quando é difícil esse entendimento através dos
sentidos, se chama de ilusão (aquilo que engana, brinca), o “fator”
se torna abstrato. Voltamos a pergunta: “como é o gato?”,
poderemos responder que “o gato é verde”, mas nenhum gato é
verde e posso está enganado, ou criando uma ilusão para enganar
aquele que pergunta – que pode ser uma brincadeira também –
porque posso acreditar e levar quem perguntou a acreditar. Talvez, o
que ficou (isso fica evidente) é a forma escolástica medieval que
aquilo que é “concreto” se designa como a carne, algo composto,
perecível, fadado a desaparecer. Já o que é “abstrato” é
aquilo que é eterno, aquilo que não é perecível a desaparecer,
pois é a essência divina em nós e com o evento do iluminismo
(rompimento com a igreja), tudo se inverteu em o que é “abstrato”
é o que não se compreende, aquilo que não se “pode vê”. Mas
sem o “abstrato” não podemos ter ideias (eidos) e sem as ideias
não se pode compreender e nem responder a pergunta: “o que é um
fator concreto?”.
O “fator concreto” pode ser fadado a ser somente uma descoberta
de um juízo analítico e não sintético, ou seja, todo “fator
concreto” pode ser a priori (antes
da experiência ou que não precisa de experiência) e o “fator
abstrato” seja a posteriori (depois
da experiência ou aquilo que passa pelo crivo da experiência). O
fato (acto) de dizer “o que é um gato” faz o gato já existir
porque já existe uma designação para ele, um felino domesticado
que se chama gato. Então, talvez, a substancia de designar “que é”
seja a moral (relativo aos costumes) que temos dentro de uma
comunidade ou religião. Dai “o querer” uma resposta “o que é
um fator concreto” depende muito da ordem do juízo que se faz
desse “fator concreto”. Para um religioso o “fator concreto”
é um, para um ateu o “fator concreto” é outro, porque são
valores diferentes daquilo que fazer acreditar o que seja um “fator
concreto”. Nós aprendemos dentro do mundo de hoje, que sempre
quando pensamos em um “fator concreto” temos que pensar em uma
realidade que construímos dentro da pratica e não ficar idealizando
possíveis alternativas. Mas se não idealizamos tais alternativas,
como vou fazer para tomar uma decisão? Ainda “tropeçamos” em um
paradoxo, porque o “concreto” é algo “composto” e seu fim
sempre é fadado a se “dês-compor” e essa realidade ser uma
ilusão, uma ilusão pode ser uma realidade. A realidade (real+idade)
é tudo aquilo que há,
assim, tudo que há
pode se dizer que é uma “coisa”, ou seja, a natureza das
“coisas” como são. Mas, como diria o filósofo austríaco
Wittgenstein, o mundo não é uma totalidade de “coisas, mas de
“fatos”. Essa deve ser a questão, “fatos” e não “coisas”.
Se tem a leve impressão que um
pensamento ou ideia “abstrata” seja uma coisa fora do
espaço-temporal, mas se analisarmos direito não é bem assim. Se
dissemos, por exemplo, que Maria suspira por Pedro o “suspiro”
acaba sendo um “abstração” de uma realidade e acaba sendo um
ato. Uma propriedade é uma “coisa abstrata”, mas é um direito
para cada cidadão que mora em uma terra que lhe pertence, uma dor
não pode ser vista, nem muito menos, tocada, mas ela existe e é um
“fator abstrato”. O amor é um afeto e todo afeto é um ato de
sentir, mas ao mesmo tempo, o ato de sentir é um ato “abstrato”
que não forma “aquilo que se vê”, e sim, “aquilo que não se
vê”. Ao mesmo tempo, o amor existe como substancia daquele que
ama, ou seja, é a natureza do sentir afetividade/carinho por outro
ser (ente) que pode sentir o mesmo ou não (independe do ser que
ama), mas que constrói uma capacidade de ligar uma realidade na
outra. Talvez, se analisarmos a essência da realidade, poderíamos
responder a pergunta “o que é um fator concreto?”.
Se a realidade é o que há,
então, o que há
na realidade? Quando digo: “vou tomar um sorvete” vou me
confrontar com uma possível realidade, posso ir “tomar um sorvete”
ou posso não ir “tomar o sorvete”. Esse “sorvete” é um
objecto (objetivo) do ato de ir até la comprar e tomar, a vontade da
minha consciência de ter um “sorvete” para saciar essa vontade.
O ato de “tomar” ou não, não me faz ter o objeto, mas me faz
querer o objeto em questão. A realidade neste caso só cai no
“sorvete” que é o objeto do desejo e é o objetivo desse desejo,
quando tomo o sorvete o objeto existe e não mais existe, porque
acabei tomando todo o “sorvete” e saciando minha vontade. A
realidade não existe como um universal único, ela muda conforme os
“fatos” (ações) que decorrem aos fenômenos que configuram
aquele ato, como “tomar” o “sorvete” deu a mim o poder de
consumir e agregar o sorvete em mim. O amor não é assim, porque o
amor independe daquele que ama, mas também aquele que é amado e
também ama quem o ama (sempre amamos quem nos ama, se não, não
pode ser amor e sim paixão platônica, idealizada, não reciproca).
O “ser amado” passa a ser o objeto do desejo, mas esse “desejo”
vai muito além do “sorvete” do exemplo anterior, o “objeto
amado” não é um objeto em si, mas um ser que é e é além disso,
uma consciência que tem o mesmo afeto, presumidamente. Hegel assumi
o “ser” como um “nada puro” porque o “ser” constrói sua
personalidade (vem do latim persona)
conforme a moral que identifica com o ambiente que foi criado, se o
ser foi criado em um ambiente religioso (mesmo que não é mais,
guardara vários valores ainda religiosos como “acreditar” na não
existência), então, constrói dentro desses “fator concretos”,
valores dentro do tradicionalismo que foi exposto. Um amor, por mais
forte e poderoso que ele seja, não escapa das cobranças sociais e
essas cobranças são construídas dentro de um juízo. Não à toa
sempre dizemos as pessoas “tenha juízo”, pois o “juízo” é
o julgar, apreciar a existência ou de algo ou de alguma pessoa que
tenha valor correspondido. Ora, então podemos afirmar que, o “juízo”
é a premissa do “fator concreto” que podemos chegar sem exitar
em dizer o que julgamos como criar uma realidade. Existe “juízos
analíticos” na realidade? Ou o “fator concreto” não existe a
priori? Existe três preposições
que podem ser analisadas: 1-)O Fator concreto 2-)O Fator abstrato e
chegamos no 3-)O amor e o juízo.
Por estranho que isso possa parecer
o “amor” existe um juízo que é a analise dos fatos decorrentes
do que se construiu, se essa construção é de “fator concreto”
ou “fator abstrato” é analisada pelos valores recebidos e do
grau de verdade tem nisso. Há
regras que devem ser analisadas ou vistas e se aceitar essas regras
elas devem ser cumpridas, pois há
a espera de uma aceitação como um acordo em ambas as partes. Nunca
um “fator concreto” pode ser dito como “uma cabana no bosque”
porque a “cabana” não existe, mas se disser que irei conquistar
“uma cabana no bosque” dai é valido porque o juízo para quem se
fala deve haver segurança. Vivemos num mundo ainda que os valores
são que o homem deve prover a casa, deve tomar as iniciativas, deve
achar sempre as soluções e se você não assegura que aquilo que
diz (ter uma cabana) não é verdade, as pessoas não tem segurança
daquilo que você diz ou se constrói uma cultura – graças a
homens que não crescem – que todo homem é igual e que não tem um
responsável, pois não é verdade. A construção de um pensamento
verdadeiro que possa parecer um “fator concreto” dentro de um
juízo de valor que pode ser verdadeiro (analítico) ou não é
verdadeiro (sintético), pois os juízos analíticos tem como base,
a confiança a aquele que comunica esse juízo e quer conquistar
aquilo e os sintéticos, são aqueles que não pode ser vistos porque
tem que ser provados. Então quando se diz “eu quero um fator
concreto para nós” é o juízo do rumo do amor, ou seja, o amor
deve ser construído sempre em cima de bases solidas, senão, desaba
e não achara meios de ser reerguido.
Então, afinal, o que é um fator
concreto? O “fator concreto” é simplesmente, uma decisão que se
deve tomar que pode ser decisiva dentro de um relacionamento. Muitas
vezes essa decisão tem que ser tomada levando por principio a moral
vigente, ou seja, um relacionamento (namoro) tem que ter uma duração
e ter um casamento. Se for um relacionamento de amizade deve ter uma
confiança, para ter a felicidade que se tem, num modo persuadido e
real, o “fator concreto” é tomar uma decisão única, que deve
ser uma decisão definitiva e na maioria das vezes, a resposta pode e
deve ajudar. A duvida é:
para que esse “fator concreto” dentro de uma decisão se uma
decisão é tomada por duas consciências (duas pessoas) que tem
afeto mutuo um com o outro? Por que a sociedade fez o ser humano
criar cerimonias para desenvolver e criar meios para ficarem juntos?
As regras sociais são feitas dentro da moral (relativo aos costumes)
da comunidade que foi inserida, que foi idealizada, então, uma
comunidade com a moral cristã e com o machismo e a disputa de
forças, o homem deve tomar decisões certas e de caráter decisivo
que é importante para a manutenção e o bem (como a harmonia
familiar) de um dado núcleo social e assim sendo, o “fator
concreto” vai ser importante. Ora, por que a decisão disso é uma
decisão só de umas das partes? Será que o fator da deficiência ou
da economia ajuda? Duvidas que talvez, nas melhores das hipóteses,
nunca serão resolvidas, mas serão sempre duvidas que só serão
respondidas com a pratica, ou seja, pelo “fator concreto”.

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