terça-feira, 6 de outubro de 2015

Ceticismo na Realidade


           Segundo diz algumas cartilhas de filosofia, o ceticismo é uma doutrina que rejeita qualquer designação dogmática, ou seja, pela própria gramatica do termo, ser cético (skepsis) é um examinador ou investigador porque sabe que não sabe. Ora, a ciência como um meio de investigação deveria ser cética em todos os assuntos e deveria ser isenta de certas ideologias e isentas de interesses governamentais, coisa que não acontece. Mas só exige ceticismo em coisas que não são irrelevantes a certas pesquisas, se essas pesquisas se realizam. Saiu de seus dogmas, a ciência já dá a “alcunha” de pseudociência e não se discute mais o assunto, como se as coisas não devessem ser discutidas e outras, que também não tem uma comprovação valida – pode se dizer que tem uma comprovação pseudo-valida – não se tem o mesmo ceticismo que se deveria ter.
Qualquer pensamento filosófico tem o dever categórico – bem kantiano – de ser cético, não deveria inclinar para nenhum lado e nem aceitar dogmas ideológicos ou religiosos. O próprio Kant que viveu no seculo dezoito, era um cristão fervoroso de ir todo domingo na igreja, mas sua filosofia era totalmente fora da sua religião porque não poderia ser de outro modo, uma coisa é ter uma investigação filosófica, outra coisa é de uma fê religiosa. Inclinações são subjetivas de uma escolha pessoal daquilo que você faz do seu conceito social – aceitando ou não o que a maioria acredita – outra coisa é deixar essa inclinação pessoal afetar em tudo em sua vida. E como filósofos, deveríamos olhar os dogmas e tudo que se passa e passou dentro da historia com uma certa duvida e não acreditar cegamente como se não devêssemos duvidar de mais nada e porque não, usar uma investigação cética e lógica sobre a realidade. O que é realidade? Realidade é tudo que colocamos como verdade e as “verdade” não são tão absolutas, pois os fatos que constrói essa realidade, não são eternos porque sempre há uma mudança dentro do devir deses fatos. Então, não temos uma única realidade, mas uma realidade que está em constante mudança dentro das nossas escolhas e essas escolhas, como meios de se chegar a essa verdade, estão mudando também. Não existe dogma, não existe pensamento, não existe sentimento que te faça essa escolha por você, mas você mesmo. Um filósofo deveria saber disso, mas depois do advento do marxismo, a filosofia se torna vitimista no lado politico social e no lado histórico cientifico, se torna completamente dogmática de não olhar para um pensamento muito mais amplo.
Os exemplos que se referem ao dogmatismo dentro da própria ciência, poderia ser caracterizados como formas, maneiras dialéticas, maneiras da fenomenologia prognostica do fato em si mesmo. As formas são imagens que constroem as diversas maneiras de enxergarmos a realidade, que necessariamente, não compreende como realidade de fato dentro do prognostico do que realmente aconteceu. Não podemos, por exemplo, afirmar que o homem pisou na Lua por causa das imagens fornecidas da NASA, porque essas imagens não provam que elas são verdadeiras de fato. Quem garante que elas não foram gravadas em um estúdio? A imagem pode ser sim, forjada. A dialética clássica nos diz como argumentar, já a dialética moderna já toma como base a mudança do tempo e as varias formas que olhamos essa realidade. O homem pisado na Lua é um argumento que pode demonstrar que esse fato tem muitos viés e esses vários viés, tendem sempre a ter um panorama real e não real dependendo do conceito de quem observa. Se quem acredita analisa a ida do homem a lua, claro e evidente que vai dizer que quem não acredita constrói teorias da conspiração – que implica que qualquer evento histórico sempre tem uma parte secreta de terceiros para dominar e manipular a opinião publica que muitas vezes é provado que ocorre – e quem não acredita analisa o homem pisando na lua que pessoas estudadas não deveriam acreditar porque existem varias evidencias que colaboram com a sua visão, que não maioria das vezes, até chegam a ser engraçadas. O fato do homem ter pisado a lua não torna o fato nem verdadeiro e nem falso, porque o fato em si mesmo colabora com outros fatos que evidenciam outras coisas. Dentro de uma perspectiva politica, os EUA efetivaram sua hegemonia dentro do cenário da época diante da corrida espacial com a URSS, no cenário cientifico, nos proporcionou várias invenções tecnológicas que usamos no dia a dia (como o forno de micro-ondas, o inox, etc). Porem isso não quer dizer que o homem pisou na Lua naquele momento em 1969, nem que existe coisas por trás disso de esconder algo para dominar o mundo – se for isso, não deu certo – mas apenas são jogos políticos para financiamento de pesquisas que precisam de aval popular lá. Mesmo assim podemos fazer um exercício lógico, muito fácil e ao mesmo tempo, simples para podemos entender essa questão.
Muitas pessoas acreditam que existem OVINIS (Objetos Voadores Não Identificados) e que eles abduzem os seres humanos e animais para experiencias genéticas de cunho misterioso. É evidente que os cientistas não acreditam nesse relatos por ser dominarem céticos com essa questão e dizem que não existe evidencias que colaboram para isso, até chegam ao ponto (alguns físicos teóricos) em dizer que não existem possibilidade de maquinas voarem dentro do universo que nada viaja a velocidade da luz. Ora, esses mesmos cientistas que não acreditam que os seres alienígenas não podem viajar no espaço, acreditam que o homem pisou na lua e até tentam mostrar as evidencias dentro disso que não passam de falacias como um espelho, um transporte, uma bandeira e outras coisas. Aliás, podemos até dizer que o homem poluiu até mesmo a lua. Como um foguete naquela época, onde só havia tecnologia para lançar satélites, poderia levar milhões de toneladas para fora da nossa orbita? Por que se acredita que numa hipótese e não se acredita na outra hipótese? O momento deveria de ser refletido.
O fenômeno do fato é o fenômeno dentro da consciência daquele momento do ocorrido. Se todos estavam esperando que o homem pisassem na lua é mais que obvio que acreditam que o homem realmente pisou na lua. O fenômeno em si fica evidente igual a um pênalti não marcado, por mais que mostramos que não houve evidencias para esse pênalti não seja marcado, lógico que o torcedor vai dizer que seu time foi injustiçado. O mesmo parece nesse caso onde o fenômeno vira uma vontade coletiva em que aquilo realmente aconteceu e não evidencias que tornem esse fato um fato duvidoso e nem que esse fato seja um fato de evidencia de condicionamento coletivo. Pelo simples fato de evidencias uma única verdade nisso tudo, não estava lá e não vou dizer se aconteceu ou não – o mesmo posso dizer de outros fatos históricos – que podem perfeitamente serem manipulados. Por mais que demonstre que não há nem lógica e nem meios que isso aconteça – câmeras eram rudimentares, foguetes propulsores não tinham tanta potencia e outras coisas que poderiam refutar melhor do que não ter estrelas ao redor da Terra – o fenômeno em si mesmo parece verdadeiro e aconteceu de verdade.
Então vamos usar o método cartesiano – do filósofo francês René Descartes (1596-1650) que elaborou seu método até mesmo contra o ceticismo que visava a certeza de tudo – do “eu penso, logo eu existo” que faz mais ou menos sentido dentro dessa tese. Se a única certeza da realidade é que eu existo por causa do cogito (pensar), porque devo ter certeza de algo que não estava presente e que pode muito bem ser forjado dentro de estúdios, dentro até mesmo de ideologias. Diz o próprio em seu Discurso ao Método que seu método só deu resultado quando percebeu que o pensamento é como uma construção de um prédio, você começa com a base (os alicerces) logo após vai construindo o prédio segundo a essa base. Qual a base desse “prédio” cartesiano? Está exatamente no cogito, onde a base de toda a realidade parte daquilo que o pensamento que vem de mim, percebe a mim primeiro como a única existência verdadeira. Por exemplo, o homem ter pisado na Lua pode ser verdade diante de quem presenciou o fato em si mesmo, mas a mim não faz diferença as imagens porque elas podem ser condicionamentos para acreditar que o homem pisou na Lua e toda aquela realidade, não exista. Isso não quer dizer que quem não acredita faz teoria da conspiração ou é a favor (algumas chegam a ser ridículas), mas tem todo o direito de duvidar e até achar meios que podem ser plausíveis dentro de um panorama naquele período da história.
Portanto, a verdade está dentro de nós mesmos e a certeza não está nem na religião e também não está nos métodos científicos.
Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.














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