segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Jogos Vorazes, um manual de ética






Quem leu o livro Jogos Vorazes sabe que Katniss Everdeen é um “poço” ético e ao mesmo tempo, sempre fica confusa quanto ao seu companheiro Peeta Mellark e quando tem certeza, ele fica debilitado. Sentimentalmente, Katiniss é uma garota confusa que não foge da idade que tem. O cenário do livro – que depois vira uma serie de filmes sobre a saga dos livros – não poderia ser outra, um mundo apocalíptico que levou a criação de nações menores, tipo, uma guerra nuclear. A nação que faz parte Katniss – antes disso era a América do Norte – é dividida em distritos e cada distrito tem uma tarefa para, claro, alimentar e dar algum conforto para a capital. Politica, como sempre. Políticos viram “animais” quando se tornam políticos (em breve vou escrever sobre isso em um texto sobre O Planeta dos Macacos).
Mas minha preocupação por hora, não é politica, mas ética e porque não, moral. Ética vem do grego antigo (porque houve uma mudança na língua grega quando Alexandre, O Grande expande a cultura grega e trás o koiné e nessa linha que os evangelhos serão escritos), ethos e nessa palavra que quer dizer “caráter”, existe algo bem mais espiritual do que temos hoje, porque ética tem a ver com a essência do ser humano. Quando os romanos fazem uma tentativa de traduzir, eles traduzem como mos e trazem como “modo de costume”. Claro que o grego na antiguidade estavam preocupados com os costumes, mas eles achavam que um homem tinha que ter acima de tudo caráter (se acontecia ou não, é outra historia) e com esse caráter, o homem poderia respeitar os costumes de uma Polis (cidade). Os romanos tiraram o caráter para suprir sua necessidade escravocrata e sua necessidade de gloria e poder, o “pater” era a figura do chefe de cada família e era ele que deveria ensinar o filho não o caráter, o caráter para o romano era secundário, eles deveriam assegurar acima de tudo, o modo dos costumes romano, a hora de ter nascido no berço da mãe Roma. O ocidente então divide entre ética (ethos, caráter) e moral (mos ou morales que é o modo de costumes) herdada por estudiosos no período iluminista e que colocou mais como forma social, do que uma forma de indivíduo. Nesse cenário que é moldado a cultura ocidental, com a ética que depois fica como uma coisa mais social (como caráter deveria ser mais pessoal) e a moral fica mais relativo aos costumes (deveria ser mais social por se tratar apenas dos costumes) onde as pessoas estão inseridas, mas que fica claro quando certas pessoas – mais ainda os conservadores – vão encher a boca para falar de “moral e bons costumes”.
Nesse cenário que Suzanne Collins vai escrever o The Hunger Ganes (se você colocar The fica fome se você tira fica Vorazes) onde ela constrói seu personagem principal, Katniss Everdeen, como a mocinha ética que salva a irmã (nova ainda para sobreviver ao Hunger Games) e quer salvar a menina que entra no Hunger Games que por ventura, não consegue. Não li os outros livros (na verdade estou acabando o primeiro), mas vi os filmes e Peeta Mallerk fica maluco e ela decide liderar (ser o Tordo) do Distrito 13 que aparentemente, fora destruído após a guerra por causa da não submissão da Capital. Fica fácil decidir em que acreditar, mas Katniss não acredita em si mesmo (mesmo sendo uma boa caçadora) e vencendo graças a sua capacidade de conquistar o publico, afinal, ela tem carisma. O “cuidado de si mesmo” (epimiléia houtoû) que Foucault colocou tanto em sua filosofia, entra no livro (você só entende a historia lendo o livro), como uma grande decisão do personagem, porque tem a ver com a morte. Sim a morte. As situações que levam as pessoas sobreviverem, acharem o caminho do silêncio e a renuncia de comunicação, porque estamos diante da morte, de ser pegos. Parece que estamos no sistema, as pessoas são pegas pelo sentimento, são pegas pelo solidariedade, mas são pessoas que não “cuidam de si” porque o outro lhe comovem e isso não é ético, isso é ser escravizado pelo sistema. Todos que Katniss conhece se afastam dela – mais uma vez estamos diante da saga do herói – e dai que ela começa a achar (porque não tem certeza), em liderar o distrito 13 e remanescentes de outros distritos, a revolução. Mas enquanto Rue está viva, seu senso ética (que parte do seu instinto materno) vai do deixar a menina se virar (até naquele momento a menina conseguiu muito bem), ou proteger a menina como sempre fez com sua irmã. Mas ela não consegue, não assumi a condição de guerreira e nem de caçadora, ela faz o papel da menina graciosa que cuida da família por causa da morte do pai e o adoecimento da sua mãe.
Mas temos dois extremos ai, Katniss dês de quando o pai morre se torna a provedora da família, a chefe que cuida e protege como se fosse a guardiã de alguma coisa, sua irmã Prim (abreviação de Primorose), é delicada e sente medo a qualquer perigo que se instale, o medo é o “cuidar de si” diante da morte que pode acontecer a qualquer momento, mas Primrose quer ser protegida e cuidada. Não que Katniss não esteja com medo – medo é uma característica constante diante da nossa heroína – mas ela transcende o medo para ir além daquilo que transforma em uma mera caçadora, na verdade ela se torna uma predadora, um ser que rastreia e destrói. Primrose quer ser igual a mãe, curandeira e nada mais. Dois extremos primordiais na historia que levam ao rumo inesperado e ao mesmo tempo, um rumo esperado. No fundo Katniss é a mocinha que queria ser menina e protegida e no fim, mesmo com sua delicadeza de menina, se torna uma mulher muito cedo e a chefe da sua família como muitas por ai.
Na verdade a ética de Katniss é a ética daqueles que vem você no outro, ou seja, tanto em Prim, quanto em Rue, uma imagem do espelho e essa é a sacada da escritora Suzanne Collins. A ética kantiana de fazer com os outros o que quisesse que fizesse com você, não só Kant disse isso em seu imperativo categórico, mas Jesus Cristo e outros avatares (avatar vem do sânscrito que quer dizer enviados de Deus) disseram também e é o ponto forta da filosofia socrática que é o pilar da moral cristã e depois a ocidental. Katniss olha para as meninas e faz o que gostaria de fizessem com ela, mas ela não pode demonstrar delicadeza, fraqueza, solidão, ela tem que demonstrar força, garra, que muitas vezes, ela não tem. Então ela transfere isso para Peeta que num primeiro contato, talvez anos atrás, ele dá um pão a ela e ela lembra desse fato e lembra da surra que o garoto leva. Mas Gale é o companheiro (a gíria de hoje diria que ele está no “friendzone”), caça com ela e não tem duvida que gosta dela (talvez é amor) e demonstra isso em querer fugir. Gale é verdadeiro (se pudesse iria sim com Katniss), Peeta o tempo todo, tenta ser o que não é para sobreviver porque é a única chance (claro, na sua cabeça) de viver e levar algo bom para sua família. O mestre do distrito 12 é um bêbado que foi o único ganhador que ganhou em todos os jogos dês de quando começou (em mais ou menos, 70 anos).
Voltamos para a ética. Para analisar qualquer ato nosso temos duas razões para fazer, se posso fazer sem que eu não agredirei o outro enquanto meu semelhante (ética) e se esse semelhante, da mesma especie que a minha e pensa e sente como eu, pode se defender, por exemplo (moral). Agredir alguém é antes de tudo, um ato de animalidade por razões que pode ser medo de o outro nos agredir (defesa) e um ato de simples fúria de um ato que não tenha gostado. Na visão de Katniss, os jogos eram um ato inútil dentro disso tudo que era a submissão, como se alguém obrigasse alguém a agredir outro por um simples prato de comida. Isso se olharmos dentro da historia humana, existiram muitos atos desse porte como a arena de gladiadores romanos, a arena de cristãos pelos romanos e a santa inquisição da igreja romana – que usava a fé como suporte – só para falar dos atos ocidentais. Talvez a ideia do livro seja um reflexo da arena de gladiadores e isso é evidente – como houve outros filmes sobre isso e até livro – com a discussão entre a ética de seres humanos se matarem para ganharem prêmios (que poderíamos até chegar próximo da banalidade do mal de Hannah Arent). Só que o Hunger Games não é só mera “briga” de seres humanos, é uma punição para lembrar os outros distritos que não podem se levantar contra a capital. Katniss não é só o “tordo” (pássaro que na historia foi construído geneticamente para serem pássaros espiões), mas a escolhida a liderar e ser um simbolo a resistência de uma exploração que à 70 anos, ou seja, ela é a escolhida porque ganhou os jogos sem esperança nenhuma. Isso era antiético e é humanamente, errado enquanto deixar seres humanos seres explorados e assim, viverem em extrema miséria.
Quando ela começa a despertar para lutar – assim o presidente vai atacar o seu sentimento, ou seja, vai torturar Peeta como ato deliberado de desespero – ela começa a se portar como o predador que é, caçar as naves, começa a atacar e depois a se esconder. Escondeu até o máximo sua fraqueza, mas todos seus amigos foram agredidos (alguns mortos), seu distrito destruído, seu “amor” torturado e louco, então, não tinha muito o que fazer senão se levantar contra a capital. A ética de Katniss é a ética da vitima que teve que lutar sempre por algo que perdeu (a perda do pai que lhe dava segurança), o mundo que era aquilo até ela ser o que sempre foi e todos que conhecia e o lugar que morava, fora destruído como se fossem formigas num formigueiros. Mas cade o humanismo? Você vê no livro e logo após no filme, que uma bandeira vermelha com um simbolo amarelo (simbolo claro de governo fascista seja de esquerda ou de direita), mas que fica claro que o “presidente” é um simbolo apenas e não um “homem que governa”. O discurso do poder é um discurso que denota a submissão restrita dos outros distritos para lembrar que a capital venceu e ela ficará no poder (mais ou menos o que acontecia nos estados-cidades gregas). Sempre tem aquele que lidera – passando um simbolismo que o ser humano sempre alcançara o cume se houver um escolhido, um tutor, um messias que o salvará – aquele que vira o herói, aquele que não salvara só ele, mas sempre uma comunidade inteira. Acontece que o escolhido sempre renega seu destino diante dos outros.
O herói tem que perder (seja o pai, seja a mãe, seja um amigo, um amor, até mesmo, um bicho de estimação), mas ele perde para perder aquilo que te prende dentro de uma situação de comodidade. Por que queremos tanto um “messias” e ainda pior, quem disse que aceitamos esse messias? Além de depender de outros para fazer qualquer coisa, ainda esse tal “messias”, tem que ser como querem. Katniss não quer ser herói para salvar todas as pessoas – embora há uma grande cartase dentro do filme que apela para esse lado – ela tem que salvar todo mundo para salvar ela, sua família, Peeta e Gale. Lógico que os mais românticos vão dizer que estou colocando besteiras, mas não, não estou e está la no livro e nos filmes para quem não coloca para o lado sentimental, não é difícil de ser analisada. Quem não quer salvar a sua pele e dos seus? Não venham com o papo que eu não, porque não cola. Então, Katniss não quer ser a heroína, ela é uma utilitarista sentimental, uma justiceira que cansa olhar quem amou e ama sofrer, ela é um ser humano.


Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, TI e filósofo.



terça-feira, 20 de outubro de 2015

O que é um fator concreto?


O que é um fator concreto? Uma pergunta que pode ser respondida com uma simples resposta, ou simples palavras como realidade objetiva de uma vida. Mas uma simples pergunta não é questão de uma simples resposta, o objetivo não pode ser o objetivado, a consciência que possa tomar uma decisão de ação ou de inercia. Nisso podemos claramente, numa forma critica, o que essa pergunta consiste num proposito para quem faz a pergunta e para quem essa pergunta se dirige como se, que perguntou, quisesse uma resposta de quem a pergunta pertence. Ora, quem pergunta dá a aquele que perguntou uma decisão que consiste numa ação objetiva em responder a pergunta e a fazer o que respondeu a pergunta, num modo objetivo. Podemos começar com a analise etimológica da pergunta como objetivo concreto.
Quando colocamos “o que é” queremos sempre esperar uma explicação sobre o objetivo da pergunta, pois sempre “o que é” é a ação de querer entender o objeto perguntado. Por exemplo, se perguntamos: “O que é um gato?”, podemos concluir que não vimos nenhum gato em toda nossa vida e queremos saber o que é um gato. Tem colegas meus que já perguntaram “o que é” um escorpião, sendo que a pessoa nunca tinha visto um escorpião na vida e assim, não sabe o que é o aracnídeo escorpião. O “é” sendo uma característica única e dentro daquilo que é objetivo, pois o “é” da pergunta quer saber a caracterização daquilo que se quer saber, que nesse caso o “fator concreto”. Mas se perguntarmos para determinado ente assim: “Como é o gato?”, dai colocamos em questão as características particulares de um gato ou a própria raça do mesmo. Porque o “como” dá uma explicação de valores dentro da caracterização do objeto que queremos saber em questão, sendo junto com o “é”, dará uma determinação quase imperativa da questão em si. Já “o que” dará uma caracterização no “que é” aquilo que é perguntado como se quem perguntou quisesse saber não uma característica particular, mas uma característica do objeto como um TODO. Linguisticamente, esse “é” é um agente de determinação de uma característica única, como se determinasse aquilo e nada mais é do que aquilo, a essência. Esse “um” carateriza um numero e ao mesmo tempo, a única unidade que o objeto pode ter com essência característica, “um bolo” não pode ser “uma torta”, em essência ele é único em todo universo. Então, “um fator concreto” não pode ser outra coisa do que um “fator concreto” que pode ter varias conotações como iremos ver.
O termo “fator” vem do latim “factor” quer quer dizer “aquele que faz” ou “criador”, ou seja, podemos ser criadores de fatos concretos dentro de tudo que fazemos. Já o termo “concreto” vem do latim “concretus”, principio do passado de “concrecere” que quer dizer “crescer em conjunto, aumentar por processo de agregação” formada por com-, “junto” mais crecere, “aumentar, crescer”. Quando a pergunta “o que é um fator concreto?” é feita, poderemos responder que esse “fator concreto” pode ser uma construção de um crescimento em conjunto com outra pessoa. Um conjunto de objetivos que levarão a algum objetivo, sempre esse objetivo terá a ver com os valores que construíram a moral de cada um desse indivíduos como um TODO. Se lhe perguntarem “Qual seu fator concreto?” isso depende qual o fator (criar) está nessa pergunta como formas objetivas de se criar um crescimento pessoal, uma criação daquilo que pode ajudar ao crescimento. Talvez, um desses fatores que são para nosso crescimento é o “conhecer a ti mesmo” que tanto vimos dentro de milhões de livros e artigos sobre o filósofo grego Sócrates, ou dentro da caracterização do Oraculo de Delfos – oraculo destinado ao deus Apolo.
Mas o termo latino concretus quer dizer “misturado, fundido, composto, combinado” que dará outro rumo em nossa analise, pois podemos dizer que a resposta pode ser além do que criar um crescimento e sim, criar uma combinação para se construir um fato. Fato vem do termo latino factum que quer dizer “aquilo que se fez, façanha, proeza, acto”, ou seja, podemos dizer que fato é um acto ou ato, ação. Enquanto um “fator” é o “criar” ou é o “elemento que dará o resultado”, o fato é o “acto” que é a essência da ação, ou seja, poderíamos colocar o “fato concreto” ou “o fato do fator concreto”. Mas o sujeito que pergunta não coloca “o fato” e sim, “o fator” como elemento decisivo da sua duvida.
Mas o locutor da pergunta pode mudar e dizer: “eu quero um fato concreto para nós”, então, dai a pergunta vira um fato imperativo de querer saber o que dará rumo a algo. O “eu” é o sujeito e é o ente que faz a pergunta, ou seja, o ente consciente ou consciência que quer uma definição, porque “querer” vem do verbo “quer” e vem do desejo da consciência. Se “quero” é porque desejo tal resposta, se desejo tal resposta tenho a consciência que o outro (ente) que fiz a pergunta ou a afirmação, entendeu o que quero saber. A substancia da duvida é o desejo de obter uma resposta, a substancia do desejo de querer algo é o desejo que esse algo deva ser alcançado. A pergunta: “o que é um fator concreto?” fica evidente quando chegamos a conclusão que a resposta é “aquilo que se pode vê”, ou seja, o sujeito que tanto faz a pergunta, quanto que pode dar a resposta. Mas “pode vê” também “pode não vê”, então, entramos no lado subjetivo que tem os valores morais que se recebeu e se entra no universo abstrato. Abstrato é uma separação ou algo que não podemos entender, ou seja, tudo que não conseguimos provar um “fator concreto” se transforma em um “fator abstrato”. Ora, se o “fator concreto” é ser o criador de uma determinação (aquilo que se pode vê), o “fator abstrato” e criar aquilo que não entende (aquilo que não se pode vê). Sempre “aquilo que não se pode vê” chamamos de fantasia, ou seja, aquilo que acreditamos ser uma ilusão por não entender. Ilusão vem do latim iludo que era enganar, mas era composto do prefixo in junto com o verbo ludo que quer dizer “eu brinco” que vem a palavra lúdico. Ilusão é se enganar com fatos (acto) que podem ser “fatores abstratos” e não “fatores concretos”. O “fator” em sua essência, contem naturalmente a determinação e o “fato” em sua essência, vai conter naturalmente o acto. A determinação (o acto de determinar), qualifica o “fator” que é ou não é o “concreto”, ou seja, se é o “fator” é “concreto” e se não, o “fator” é “abstrato”. O que é “concreto” (determinado) não pode ser “abstracto” (difícil de compreender).
A determinação é algo que podemos chamar de real, que podemos compreender, porque tudo que não compreendemos como uma ação ou um ato – aquilo que vimos ou tocamos – não podemos determinar como “fato” ou “fator”. O “fator concreto” é compreendido, visto, talvez até mesmo, tocado como algo que conseguimos entender. Quando não, quando é difícil esse entendimento através dos sentidos, se chama de ilusão (aquilo que engana, brinca), o “fator” se torna abstrato. Voltamos a pergunta: “como é o gato?”, poderemos responder que “o gato é verde”, mas nenhum gato é verde e posso está enganado, ou criando uma ilusão para enganar aquele que pergunta – que pode ser uma brincadeira também – porque posso acreditar e levar quem perguntou a acreditar. Talvez, o que ficou (isso fica evidente) é a forma escolástica medieval que aquilo que é “concreto” se designa como a carne, algo composto, perecível, fadado a desaparecer. Já o que é “abstrato” é aquilo que é eterno, aquilo que não é perecível a desaparecer, pois é a essência divina em nós e com o evento do iluminismo (rompimento com a igreja), tudo se inverteu em o que é “abstrato” é o que não se compreende, aquilo que não se “pode vê”. Mas sem o “abstrato” não podemos ter ideias (eidos) e sem as ideias não se pode compreender e nem responder a pergunta: “o que é um fator concreto?”.
O “fator concreto” pode ser fadado a ser somente uma descoberta de um juízo analítico e não sintético, ou seja, todo “fator concreto” pode ser a priori (antes da experiência ou que não precisa de experiência) e o “fator abstrato” seja a posteriori (depois da experiência ou aquilo que passa pelo crivo da experiência). O fato (acto) de dizer “o que é um gato” faz o gato já existir porque já existe uma designação para ele, um felino domesticado que se chama gato. Então, talvez, a substancia de designar “que é” seja a moral (relativo aos costumes) que temos dentro de uma comunidade ou religião. Dai “o querer” uma resposta “o que é um fator concreto” depende muito da ordem do juízo que se faz desse “fator concreto”. Para um religioso o “fator concreto” é um, para um ateu o “fator concreto” é outro, porque são valores diferentes daquilo que fazer acreditar o que seja um “fator concreto”. Nós aprendemos dentro do mundo de hoje, que sempre quando pensamos em um “fator concreto” temos que pensar em uma realidade que construímos dentro da pratica e não ficar idealizando possíveis alternativas. Mas se não idealizamos tais alternativas, como vou fazer para tomar uma decisão? Ainda “tropeçamos” em um paradoxo, porque o “concreto” é algo “composto” e seu fim sempre é fadado a se “dês-compor” e essa realidade ser uma ilusão, uma ilusão pode ser uma realidade. A realidade (real+idade) é tudo aquilo que , assim, tudo que pode se dizer que é uma “coisa”, ou seja, a natureza das “coisas” como são. Mas, como diria o filósofo austríaco Wittgenstein, o mundo não é uma totalidade de “coisas, mas de “fatos”. Essa deve ser a questão, “fatos” e não “coisas”.
Se tem a leve impressão que um pensamento ou ideia “abstrata” seja uma coisa fora do espaço-temporal, mas se analisarmos direito não é bem assim. Se dissemos, por exemplo, que Maria suspira por Pedro o “suspiro” acaba sendo um “abstração” de uma realidade e acaba sendo um ato. Uma propriedade é uma “coisa abstrata”, mas é um direito para cada cidadão que mora em uma terra que lhe pertence, uma dor não pode ser vista, nem muito menos, tocada, mas ela existe e é um “fator abstrato”. O amor é um afeto e todo afeto é um ato de sentir, mas ao mesmo tempo, o ato de sentir é um ato “abstrato” que não forma “aquilo que se vê”, e sim, “aquilo que não se vê”. Ao mesmo tempo, o amor existe como substancia daquele que ama, ou seja, é a natureza do sentir afetividade/carinho por outro ser (ente) que pode sentir o mesmo ou não (independe do ser que ama), mas que constrói uma capacidade de ligar uma realidade na outra. Talvez, se analisarmos a essência da realidade, poderíamos responder a pergunta “o que é um fator concreto?”.
Se a realidade é o que , então, o que na realidade? Quando digo: “vou tomar um sorvete” vou me confrontar com uma possível realidade, posso ir “tomar um sorvete” ou posso não ir “tomar o sorvete”. Esse “sorvete” é um objecto (objetivo) do ato de ir até la comprar e tomar, a vontade da minha consciência de ter um “sorvete” para saciar essa vontade. O ato de “tomar” ou não, não me faz ter o objeto, mas me faz querer o objeto em questão. A realidade neste caso só cai no “sorvete” que é o objeto do desejo e é o objetivo desse desejo, quando tomo o sorvete o objeto existe e não mais existe, porque acabei tomando todo o “sorvete” e saciando minha vontade. A realidade não existe como um universal único, ela muda conforme os “fatos” (ações) que decorrem aos fenômenos que configuram aquele ato, como “tomar” o “sorvete” deu a mim o poder de consumir e agregar o sorvete em mim. O amor não é assim, porque o amor independe daquele que ama, mas também aquele que é amado e também ama quem o ama (sempre amamos quem nos ama, se não, não pode ser amor e sim paixão platônica, idealizada, não reciproca). O “ser amado” passa a ser o objeto do desejo, mas esse “desejo” vai muito além do “sorvete” do exemplo anterior, o “objeto amado” não é um objeto em si, mas um ser que é e é além disso, uma consciência que tem o mesmo afeto, presumidamente. Hegel assumi o “ser” como um “nada puro” porque o “ser” constrói sua personalidade (vem do latim persona) conforme a moral que identifica com o ambiente que foi criado, se o ser foi criado em um ambiente religioso (mesmo que não é mais, guardara vários valores ainda religiosos como “acreditar” na não existência), então, constrói dentro desses “fator concretos”, valores dentro do tradicionalismo que foi exposto. Um amor, por mais forte e poderoso que ele seja, não escapa das cobranças sociais e essas cobranças são construídas dentro de um juízo. Não à toa sempre dizemos as pessoas “tenha juízo”, pois o “juízo” é o julgar, apreciar a existência ou de algo ou de alguma pessoa que tenha valor correspondido. Ora, então podemos afirmar que, o “juízo” é a premissa do “fator concreto” que podemos chegar sem exitar em dizer o que julgamos como criar uma realidade. Existe “juízos analíticos” na realidade? Ou o “fator concreto” não existe a priori? Existe três preposições que podem ser analisadas: 1-)O Fator concreto 2-)O Fator abstrato e chegamos no 3-)O amor e o juízo.
Por estranho que isso possa parecer o “amor” existe um juízo que é a analise dos fatos decorrentes do que se construiu, se essa construção é de “fator concreto” ou “fator abstrato” é analisada pelos valores recebidos e do grau de verdade tem nisso. regras que devem ser analisadas ou vistas e se aceitar essas regras elas devem ser cumpridas, pois a espera de uma aceitação como um acordo em ambas as partes. Nunca um “fator concreto” pode ser dito como “uma cabana no bosque” porque a “cabana” não existe, mas se disser que irei conquistar “uma cabana no bosque” dai é valido porque o juízo para quem se fala deve haver segurança. Vivemos num mundo ainda que os valores são que o homem deve prover a casa, deve tomar as iniciativas, deve achar sempre as soluções e se você não assegura que aquilo que diz (ter uma cabana) não é verdade, as pessoas não tem segurança daquilo que você diz ou se constrói uma cultura – graças a homens que não crescem – que todo homem é igual e que não tem um responsável, pois não é verdade. A construção de um pensamento verdadeiro que possa parecer um “fator concreto” dentro de um juízo de valor que pode ser verdadeiro (analítico) ou não é verdadeiro (sintético), pois os juízos analíticos tem como base, a confiança a aquele que comunica esse juízo e quer conquistar aquilo e os sintéticos, são aqueles que não pode ser vistos porque tem que ser provados. Então quando se diz “eu quero um fator concreto para nós” é o juízo do rumo do amor, ou seja, o amor deve ser construído sempre em cima de bases solidas, senão, desaba e não achara meios de ser reerguido.
Então, afinal, o que é um fator concreto? O “fator concreto” é simplesmente, uma decisão que se deve tomar que pode ser decisiva dentro de um relacionamento. Muitas vezes essa decisão tem que ser tomada levando por principio a moral vigente, ou seja, um relacionamento (namoro) tem que ter uma duração e ter um casamento. Se for um relacionamento de amizade deve ter uma confiança, para ter a felicidade que se tem, num modo persuadido e real, o “fator concreto” é tomar uma decisão única, que deve ser uma decisão definitiva e na maioria das vezes, a resposta pode e deve ajudar. A duvida é: para que esse “fator concreto” dentro de uma decisão se uma decisão é tomada por duas consciências (duas pessoas) que tem afeto mutuo um com o outro? Por que a sociedade fez o ser humano criar cerimonias para desenvolver e criar meios para ficarem juntos? As regras sociais são feitas dentro da moral (relativo aos costumes) da comunidade que foi inserida, que foi idealizada, então, uma comunidade com a moral cristã e com o machismo e a disputa de forças, o homem deve tomar decisões certas e de caráter decisivo que é importante para a manutenção e o bem (como a harmonia familiar) de um dado núcleo social e assim sendo, o “fator concreto” vai ser importante. Ora, por que a decisão disso é uma decisão só de umas das partes? Será que o fator da deficiência ou da economia ajuda? Duvidas que talvez, nas melhores das hipóteses, nunca serão resolvidas, mas serão sempre duvidas que só serão respondidas com a pratica, ou seja, pelo “fator concreto”.











sábado, 17 de outubro de 2015

A Síndrome de Sísifo







Sísifo e sua eterna tarefa 






uma incrível diferença entre o que acreditamos ser real e o que é real, isso sem sombras de duvidas, mas entre o pessoal que insiste em dar uma interpretação de tudo segundo na qual, suas próprias convicções. Mas de onde as pessoas tiram seus conceitos que sempre dará o conflito com realidade e não realidade? Vamos no começo. Sísifo foi castigado pelos deuses – diz algumas versões por Hades e Perséfone – por ter desobedecido os deuses em rolar uma rocha gigante, pela montanha acima por toda a eternidade, pois quando chegava no topo, a rocha descia de volta. Como disse Camus, Sísifo ao olhar a rocha, deslumbrar ela em voltar sempre e sempre a torna trazê-la no topo da montanha, ele deslumbra o nada. Ele mesmo dizia (Camus), que uma vida bem vivida era uma vida sem sentido. Afinal, um sentido em uma vida que você vive 70 em media e no fim morre? Se pensarmos direito vamos ver que a nossa vida toda é em busca de coisas inúteis e sem proposito de crescimento para nós, sempre buscamos coisas materiais e sempre vamos ser escravos do sistema. Não adianta vim com esse papo de que procura evidencias, estuda casos de OVINIs, estuda a espiritualidade, estuda fenômenos metafísicos e ainda ouve cultura de massa e vê novela, nada adianta. Também fica reclamando do governo e nada faz para o progresso humano e para despertar a consciência da maioria, apenas compartilha, entender é muito além disso.
Quando não temos sentido (verdades) de tudo, esquecemos que esse sentido não é para nosso progresso, esse sentido é para o proposito que o poder o quer sempre para ser seu escravo. Quer uma coisa básica? Vamos pegar as duas maiores campanhas televisivas que está sempre em evidencia o Criança Esperança e o Teleton. Qual a diferença entre as duas? Uma é organizada pela UNICEF que arrecada milhões para ajudar (assim dizem), crianças pelo mundo e pelo Brasil e a outra, é organizada pela AACD (Associação a Assistência as Crianças Deficientes) e tem o intuito a ajudar crianças deficientes ou criar novas unidades da própria entidade. As duas mostram apenas imagens e fotos. As duas são veiculadas dentro das maiores emissoras do Brasil (SBT e Globo). Mas misteriosamente a campanha Criança Esperança cai em descredito e é duramente criticada enquanto o Teleton, ninguém mexe ou dá nenhuma opinião negativa sobre isso. Ou o povo acha que só porque as crianças são deficientes e são intocáveis, ou simplesmente, caímos na síndrome de Sísifo que sempre vamos levar a “rocha” da ignorância suprema. Esse povo não analisa que os dois casos são idênticos? Os dois casos são pelo dinheiro? Claro. Não existe só essa entidade para deficientes como existem outros órgãos muito mais competentes do que a UNICEF, isso tem que ficar claro dentro da “cabecinha” do pessoal que só critica por questões obvias, o outro disse.
Não ter sentido não é ser indiferente, não ter sentido é não ter as amarras dos conceitos que a maioria tem. Por que tenho que acreditar em alguma coisa porque alguém me falou? Por que tenho que ter uma opinião sobre tudo e todos? As vezes, você quer que o mundo se exploda e vai ler algo que você goste, ou vai ver coisas que te agradam, mas quando a vida faz sentido, ela se torna algo tenebroso e escravizado. Não é à toa que eu gosto tanto do budismo, gosto também do espiritismo, porque são duas correntes independentes de qualquer um que queira impor algo. Jesus Cristo também não impôs nada, mas os teólogos se apropriaram dos seus ensinamentos e não o ensinam como deve ser. A esperança não evolui o homem, mas o desespero faz do homem um ser superior, um espirito forte, um ser sublime que não há sentido em coroar como um ser racional. A racionalidade não tem nada a ver com a lógica, a lógica quer dar sentido sobre tudo, sentido do universo, sentido das estrelas, até mesmo, um sentido para o ser humano. A racionalidade cética e cínica – não o sentido do cínico moderno que faz ironias de tudo e todos, mas no fundo, não entende nem o que está falando – que vê que a realidade não é realidade, são momentos dentro de uma vivencia. O ser humano não faz suas ações porque é certo fazê-las ou que é ético, ele faz por pura aparência, aquilo acontece por pura vaidade e vaidade é uns dos pecados capitais. Não é isso que as igrejas cristãs pregam? Mas a maioria das pessoas fazem exatamente isso, ajudam, doam, fazem as coisas e mostram por pura vaidade e isso ainda é esperança e pela esperança não temos a redenção. A beatitude é o desespero, a beatitude é o sem-sentido da vida, pois os que ascensionaram só viam o agora, todos os mestres não se preocuparam com o amanhã.
Mas o que é o amanhã se ele não existe? O que achamos que estamos fazendo no mundo? Não me interessa se o homem pousou ou não na lua, se há ou não vida em Marte, ou se os EUA está mentindo quanto a isso, não vai mudar a vida de ninguém isso e não vai acabar com a “empáfia” de achar que Deus todo poderoso, onipresente, precisa de um representante. Os ateus e os religiosos são dois lados da mesma moeda, todos tem esperança, mas não há esperança por uma humanidade perdida. Por que perdida? Porque há milhões de Sísifos que carregam suas rochas montanha acima, mas não vão conseguir porque a rocha sempre volta, porque a culpa é a desobediência da vida daquilo que não há escapatória. As depressões e a sensação de solidão é a incapacidade de ver que não estamos sós, somos alguém, mas queremos sempre manter esses personagens sem sentido que assumimos dentro dessa sociedade. O Facebook está cheio de pessoas que querem aparecer por um instante, ou por muito tempo, dando milhões de opiniões, achando que o mundo deve aceitar suas teorias absurdas e de teor de esperança. A desgraça humana é ter esperança de um dia melhor, mas melhor só não esperar nada, não temos nada, não somos nada, apenas mais um em vida, mais um espermatozoide que fecundou um ovulo.
As pessoas não enxergam que a realidade exige muito mais coragem de encarar do que uma realidade virtual (aparente), o que os hindus dizem ser o “maya”, ou seja, a ilusão aparente. Ilusões de uma mente condicionada em ver sentido, obter resposta. Qual a resposta verdadeira? Qual é a falsa? Não há diferença do ponto ético como não há diferença do ponto ético entre a realidade e a não realidade, não há realidade fixa, mas nossos próprio valores que criamos em tudo que vimos e sentimos. Um cavaleiro templário (que eram monges treinados), viam o cristianismo de uma maneira, hoje se enxerga o cristianismo de outra maneira e os discípulos de Jesus Cristo, viam de outra maneira. São muitas visões de um mesmo proposito, que se distanciam de repente, por causa dos valores emitidos nesse mesmo proposito. Diferença subjetivas de um objetivo. Existir faz sentido. Só existir.




Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário e TI, filósofo e escritor. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Pseudociência ou ciência – por que temos medo do desconhecido?

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    Todos os dias recebo texto do blog Universo Racionalista que é um blog sobre ciência e gosto muito, pois gosto de saber o que é ciência e o que ela pode trazer de bom para o nosso dia a dia. Só que tem certas coisas que me incomodam e não entendo de onde vem, o termo “pseudociência” como se existisse um critério rigoroso sobre o que é ciência empírica e o que seria ciência teórica (que aliás, é também importante dentro das experiencias empíricas). Ora, a etimologia de ciência vem do latim scientia que quer dizer conhecimento que vem do verbo scire que quer dizer “saber”, assim, o saber não tem um critério definido o que deveria ou não saber. Afinal, qual o critérios de ser colocado o que é pseudociência (como se o ensino médio e qualquer universidade daqui, desse realmente a matéria de ciência), ou ciência se o Brasil sempre fica atrás quando se fala de ciência? Lembrando que não temos nem um curso de medicina de verdade.
Se ciência quer dizer conhecimento, os critérios que a o empirismo se baseiam, limitam o conhecimento em pelo menos 50% do que os cientistas poderiam descobrir se ousassem ir longe. Mas já disseram que aqui no Brasil os cientistas não vão além, não ousam, não vai muito mais longe do que deveriam. Porque nosso povo tem uma “tara” obcecada e ao mesmo tempo estranha em sempre dizer ou mostrar a verdade. A pergunta é: o que é a verdade? Nem mesmo os físicos estrangeiros sabem o que é realidade – já que la fora não usam mais as leis de Newton ou a geometria de Euclides que aqui, por sermos herdeiros do iluminismo, ainda se usa – e nem ao certo sabemos o que é a verdade, porque a verdade se relativou por não conseguir fazer um apanhado de conclusões para se chegar a uma realidade definida.
Realidade se define como algo que podemos enxergar e podemos tocar como algo real, mas a realidade vai muito também da definição o que seria o real e o que seria o imaginário. Pessoas podem imaginar um unicórnio que nada mais e do que um cavalo com um chifre – que muitos dizem estar nos evangelhos – mas que não encontraram nenhuma evidencia o que seria um unicórnio. Claro, que hipóteses como ossos de animais pré-históricos ou até mesmo, como varias religiões cristãs também constam, seria o rinoceronte. Isso seria pseudociência ou outra maneira de chamar o rinoceronte em tempos remotos? Eram outros tempos e outras maneiras de se referirem os animais de hoje o que eles tinham como referencia ontem, como um cavalo de chifres que poderia encaixar perfeitamente em um rinoceronte naqueles tempos. Para se falar de ciência, ou de qualquer estudo, devemos estudar o que levou o ser humano a chamar aquilo do termo que chamaram. Einstein não aceitou muito bem a física quântica, mas hoje já se tem um estudo maior sobre a física quântica e já aceita a física quântica como realidade. Assim, toda ciência (conhecimento) vem de um pensamento e experiencia continua, e não, o que os bloguistas acham que vieram de uma vez só.
O que me incomoda é essa pretensão de acharem que tudo que é popular é pseudociência e tudo que é em laboratório – se pudéssemos ver se realmente aquilo era ou não, conclusivo a pesquisas – é ciência como se pudessem “plastificar” o pensamento e o conhecimento humano. Quem garante que realmente descobriram curas de doenças nos laboratórios? Quem garante que algumas doenças não são armas biológicas que deram errado? Uma vez, participava de um grupo do Yahoo e um sujeito teimou em dizer que minha dor de barriga sarou porque tinha que sarar por eu dizer que tomava coca-cola com maisena e nem se deu o trabalho em pesquisar que a coca-cola era vendida pelo seu inventor, como remédio de dor de barriga. Ora, qualquer site do mais simples que seja – que muitos que são metidos a “cientistas” não pesquisam – sabem que coca-cola tem potássio que ajuda a hidratar e a maisena tem componentes que cortam a diarreia. Como muitos ainda insistem, mesmo substancias de tratamento chines ter ganhado o premio nobel de medicina, em chamar esse tipo de tratamento de pseudociência sem ao menos pesquisar o assunto ou se aprofundar. Preguiça ou ignorância? Eis a questão.
O que acontece é que a ciência não é apenas um conhecimento, pois ela (a ciência) vai mais longe, porque ela rompe a imaginação e a especulação e faz o caminho da experiencia. Mas ao mesmo tempo, a ciência não tem a pretensão de saber mais do que sabe, não tem como (ainda talvez) em ter uma verdade absoluta. Mesmo o porque, não existe verdades absolutas e nem fatos eternos como diria o filósofo Nietzsche. Mas a pergunta é: o que a ciência pode descobrir? Será que a pergunta kantiana: “Existem juízos sintéticos a priori?” não quer dizer que a metafisica como ciência? Ora, não constataram que o animal lendário “unicórnio” era o rinoceronte por pura dedução? Então, podemos dizer que a dedução não está longe de ser um meio para adquirir conhecimento com a pratica, já que a razão pode também transferir para dedução o fator principal para fazer a experiencia. Assim como na física se diz que a massa é igual em todo o universo e ela só modifica, o conhecimento também é o mesmo, só modificamos os meios e os termos em se referir aquilo que se quer referir. A neve pode chamar neve para nós, mas os norte-americanos o a chamam de “snow”, a natureza da neve não se modifica com a mudança do termo. O mesmo podemos dizer em todo o campo do conhecimento humano, porque temos critérios dentro de nós que modificam as muitas maneiras de olhar um mesmo objeto ou um objetivo. A moral humana nos remete ao valor que damos aquilo e não só se vamos ou não seguir aquilo, mesmo assim, podemos dizer que seja um meio para analisar os muitos pontos de vista da realidade. Não confundamos moral com moralismo, pois a moral é o que somos e o que temos como valor dentro da realidade e sociedade, o moralismo é uma imposição religiosa e cultural do que “achamos” certo o que os outros devem seguir. Neste caso, o academismo se torna moralista quando impõem regras para ser um acadêmico, principalmente aqui.
Temos que ter a razão como critério e até duvidar de pesquisas que envolvam doenças, já que essas pesquisas são financiadas por milhões e esses milhões são dados aos laboratórios, assim, lucrando com as mesmas doenças que talvez criem. Não é difícil que isso ocorra, como não é difícil que as pesquisas sejam manipuladas, porque no mesmo modo o poder usa as religiões por medo e desesperança, usa a ciência para impor certos pensamentos. O remédio homeopático, por exemplo, por não ter comprovação cientifica – imaginem se a população ache curas próprias e não gastem com remédio alopáticos – mas o alopáticos tem comprovação cientifica para ser usado. Nos meus machucados, por exemplo, uso álcool com casca de Barbatimão e sara o machucado. Agora, imagine o quanto as industria perderiam se todo mundo usassem esse tipo de remédio caseiro? A ciência como conhecimento, não pode ficar amarrada nem em formas ideológicas e muito menos, amarrada em um fanatismo barato que não levará o homem ao seu progresso máximo.
Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, TI e filósofo




terça-feira, 6 de outubro de 2015

Ceticismo na Realidade


           Segundo diz algumas cartilhas de filosofia, o ceticismo é uma doutrina que rejeita qualquer designação dogmática, ou seja, pela própria gramatica do termo, ser cético (skepsis) é um examinador ou investigador porque sabe que não sabe. Ora, a ciência como um meio de investigação deveria ser cética em todos os assuntos e deveria ser isenta de certas ideologias e isentas de interesses governamentais, coisa que não acontece. Mas só exige ceticismo em coisas que não são irrelevantes a certas pesquisas, se essas pesquisas se realizam. Saiu de seus dogmas, a ciência já dá a “alcunha” de pseudociência e não se discute mais o assunto, como se as coisas não devessem ser discutidas e outras, que também não tem uma comprovação valida – pode se dizer que tem uma comprovação pseudo-valida – não se tem o mesmo ceticismo que se deveria ter.
Qualquer pensamento filosófico tem o dever categórico – bem kantiano – de ser cético, não deveria inclinar para nenhum lado e nem aceitar dogmas ideológicos ou religiosos. O próprio Kant que viveu no seculo dezoito, era um cristão fervoroso de ir todo domingo na igreja, mas sua filosofia era totalmente fora da sua religião porque não poderia ser de outro modo, uma coisa é ter uma investigação filosófica, outra coisa é de uma fê religiosa. Inclinações são subjetivas de uma escolha pessoal daquilo que você faz do seu conceito social – aceitando ou não o que a maioria acredita – outra coisa é deixar essa inclinação pessoal afetar em tudo em sua vida. E como filósofos, deveríamos olhar os dogmas e tudo que se passa e passou dentro da historia com uma certa duvida e não acreditar cegamente como se não devêssemos duvidar de mais nada e porque não, usar uma investigação cética e lógica sobre a realidade. O que é realidade? Realidade é tudo que colocamos como verdade e as “verdade” não são tão absolutas, pois os fatos que constrói essa realidade, não são eternos porque sempre há uma mudança dentro do devir deses fatos. Então, não temos uma única realidade, mas uma realidade que está em constante mudança dentro das nossas escolhas e essas escolhas, como meios de se chegar a essa verdade, estão mudando também. Não existe dogma, não existe pensamento, não existe sentimento que te faça essa escolha por você, mas você mesmo. Um filósofo deveria saber disso, mas depois do advento do marxismo, a filosofia se torna vitimista no lado politico social e no lado histórico cientifico, se torna completamente dogmática de não olhar para um pensamento muito mais amplo.
Os exemplos que se referem ao dogmatismo dentro da própria ciência, poderia ser caracterizados como formas, maneiras dialéticas, maneiras da fenomenologia prognostica do fato em si mesmo. As formas são imagens que constroem as diversas maneiras de enxergarmos a realidade, que necessariamente, não compreende como realidade de fato dentro do prognostico do que realmente aconteceu. Não podemos, por exemplo, afirmar que o homem pisou na Lua por causa das imagens fornecidas da NASA, porque essas imagens não provam que elas são verdadeiras de fato. Quem garante que elas não foram gravadas em um estúdio? A imagem pode ser sim, forjada. A dialética clássica nos diz como argumentar, já a dialética moderna já toma como base a mudança do tempo e as varias formas que olhamos essa realidade. O homem pisado na Lua é um argumento que pode demonstrar que esse fato tem muitos viés e esses vários viés, tendem sempre a ter um panorama real e não real dependendo do conceito de quem observa. Se quem acredita analisa a ida do homem a lua, claro e evidente que vai dizer que quem não acredita constrói teorias da conspiração – que implica que qualquer evento histórico sempre tem uma parte secreta de terceiros para dominar e manipular a opinião publica que muitas vezes é provado que ocorre – e quem não acredita analisa o homem pisando na lua que pessoas estudadas não deveriam acreditar porque existem varias evidencias que colaboram com a sua visão, que não maioria das vezes, até chegam a ser engraçadas. O fato do homem ter pisado a lua não torna o fato nem verdadeiro e nem falso, porque o fato em si mesmo colabora com outros fatos que evidenciam outras coisas. Dentro de uma perspectiva politica, os EUA efetivaram sua hegemonia dentro do cenário da época diante da corrida espacial com a URSS, no cenário cientifico, nos proporcionou várias invenções tecnológicas que usamos no dia a dia (como o forno de micro-ondas, o inox, etc). Porem isso não quer dizer que o homem pisou na Lua naquele momento em 1969, nem que existe coisas por trás disso de esconder algo para dominar o mundo – se for isso, não deu certo – mas apenas são jogos políticos para financiamento de pesquisas que precisam de aval popular lá. Mesmo assim podemos fazer um exercício lógico, muito fácil e ao mesmo tempo, simples para podemos entender essa questão.
Muitas pessoas acreditam que existem OVINIS (Objetos Voadores Não Identificados) e que eles abduzem os seres humanos e animais para experiencias genéticas de cunho misterioso. É evidente que os cientistas não acreditam nesse relatos por ser dominarem céticos com essa questão e dizem que não existe evidencias que colaboram para isso, até chegam ao ponto (alguns físicos teóricos) em dizer que não existem possibilidade de maquinas voarem dentro do universo que nada viaja a velocidade da luz. Ora, esses mesmos cientistas que não acreditam que os seres alienígenas não podem viajar no espaço, acreditam que o homem pisou na lua e até tentam mostrar as evidencias dentro disso que não passam de falacias como um espelho, um transporte, uma bandeira e outras coisas. Aliás, podemos até dizer que o homem poluiu até mesmo a lua. Como um foguete naquela época, onde só havia tecnologia para lançar satélites, poderia levar milhões de toneladas para fora da nossa orbita? Por que se acredita que numa hipótese e não se acredita na outra hipótese? O momento deveria de ser refletido.
O fenômeno do fato é o fenômeno dentro da consciência daquele momento do ocorrido. Se todos estavam esperando que o homem pisassem na lua é mais que obvio que acreditam que o homem realmente pisou na lua. O fenômeno em si fica evidente igual a um pênalti não marcado, por mais que mostramos que não houve evidencias para esse pênalti não seja marcado, lógico que o torcedor vai dizer que seu time foi injustiçado. O mesmo parece nesse caso onde o fenômeno vira uma vontade coletiva em que aquilo realmente aconteceu e não evidencias que tornem esse fato um fato duvidoso e nem que esse fato seja um fato de evidencia de condicionamento coletivo. Pelo simples fato de evidencias uma única verdade nisso tudo, não estava lá e não vou dizer se aconteceu ou não – o mesmo posso dizer de outros fatos históricos – que podem perfeitamente serem manipulados. Por mais que demonstre que não há nem lógica e nem meios que isso aconteça – câmeras eram rudimentares, foguetes propulsores não tinham tanta potencia e outras coisas que poderiam refutar melhor do que não ter estrelas ao redor da Terra – o fenômeno em si mesmo parece verdadeiro e aconteceu de verdade.
Então vamos usar o método cartesiano – do filósofo francês René Descartes (1596-1650) que elaborou seu método até mesmo contra o ceticismo que visava a certeza de tudo – do “eu penso, logo eu existo” que faz mais ou menos sentido dentro dessa tese. Se a única certeza da realidade é que eu existo por causa do cogito (pensar), porque devo ter certeza de algo que não estava presente e que pode muito bem ser forjado dentro de estúdios, dentro até mesmo de ideologias. Diz o próprio em seu Discurso ao Método que seu método só deu resultado quando percebeu que o pensamento é como uma construção de um prédio, você começa com a base (os alicerces) logo após vai construindo o prédio segundo a essa base. Qual a base desse “prédio” cartesiano? Está exatamente no cogito, onde a base de toda a realidade parte daquilo que o pensamento que vem de mim, percebe a mim primeiro como a única existência verdadeira. Por exemplo, o homem ter pisado na Lua pode ser verdade diante de quem presenciou o fato em si mesmo, mas a mim não faz diferença as imagens porque elas podem ser condicionamentos para acreditar que o homem pisou na Lua e toda aquela realidade, não exista. Isso não quer dizer que quem não acredita faz teoria da conspiração ou é a favor (algumas chegam a ser ridículas), mas tem todo o direito de duvidar e até achar meios que podem ser plausíveis dentro de um panorama naquele período da história.
Portanto, a verdade está dentro de nós mesmos e a certeza não está nem na religião e também não está nos métodos científicos.
Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.













quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Resposta a um problema




Estátua de Aristóteles junto com instrumentos da informática




“2 pais e 3 filhos entraram numa loja e juntos compraram 3 camisas cada um comprou uma camisa, ou seja, nenhum deles saiu da loja sem comprar a sua camisa. Como isso é possível?”.


Esse é um problema – acredite se quiserem de uma escola para crianças da 1º serie – de lógica que treina a parte racional do nosso cérebro. Mas o que é lógica e o que faz a lógica tão importante para o nosso meio? Lógica veio do grego “logikós” que seria “relativo ao raciocínio”, que seu maior expoente é sem duvida, Aristóteles e seu famoso silogismo. Mas foi com Kurt Godel (1906-1978) que levou a lógica – junto com nomes de peso como Bertrand Russell, Wittgenstein entre outros – ao seu importante papel dentro do cenário cotidiano porque não, junto a historia da computação. Enquanto escrevo esse texto, o computador que uso faz um monte de cálculos lógicos que podem surgir as letras que serão um texto pronto.
Voltando ao prolema temos que separar o sujeito do predicado e para fazer isso você tem que inverter o problema, ou seja, fazer uma velha pergunta para entender o anunciado: quem entrou dentro da loja para comprar as 3 camisas? Reposta é: os 2 pais e 3 filhos. Mas os “2 pais e 3 filhos” são na verdade, sujeitos de uma só existência e explico o porquê. O “e” está ligando os “2 pais” com os “3 filhos”, porque não tem “seus” depois do “e” e não podemos dizer que os “3 filhos” são realmente dos “2 pais”. Qual conclusão que podemos analisar? Que os “2 pais” na verdade estão contidos nos “3 filhos” porque poderíamos construir a hipótese que são avô, pai e filho que entraram na loja para comprarem 3 camisas. A premissa fica ainda mais fácil quando colocamos que A são os 2 pais e B são os 3 filhos que entram numa loja de camisa. Antes disso, o verbo “entrar” já coloca a situação de ação do sujeito e a intenção desse. O fenômeno da intenção faz nós irmos até o predicado e dizer que “entraram” para comprar uma camisa para cada um. A (2 pais) está em B (3 filhos) porque o “e” nesse caso é uma ligação entre duas hipóteses, como ter tanto os 2 pais como ter os 3 filhos, porque não está dizendo que são “seus” 3 filhos” podemos demonstrar assim: poderia estar escrito “2 pais e seus 3 filhos” e não está, está “2 pais e 3 filhos”.
Como é possível isso? Ora, poderemos escrever vários exemplos para demonstrar que os 3 filhos na verdade, são os 2 pais. Poderíamos mudar um pouco e escrever o problema: “2 pais com seus 3 filhos, entraram em uma loja e compraram 5 camisas, cada um comprou uma camisa para cada um, ou seja, nenhum deles saíram sem comprar”. A frase não seria certa também? Porem se colocássemos as 3 camisas não ficaria lógico poque ficariam faltando 2 camisas, ou seja, o numero de camisas ficaria obsoleto dentro do problema. Seria o mesmo que dizer que 1 homem entrou no bar e sentou em um banco, ou até mesmo, um homem e uma mulher entraram em uma balada. Sabemos de antemão que 1 só homem só pode sentar em um só banco e que o homem e a mulher não estão contidos por causa do gênero e da proporção de 1 + 1 que está na frase. Mas quando estamos dizendo que 2 pais e 3 filhos entraram numa loja para comprar 3 camisas, a resposta está contida dentro das 3 camisas que reforça a hipótese que seria 3 pessoas que são pais e filhos.
Aliás, em varias culturas, o 3 é um numero perfeito porque dês da geometria grega – que alguns cientistas desclassificam como não ciência – tem como o triangulo como o simbolo perfeito, o simbolo das altas esferas da geometria pura. Então, nesse caso, a lógica (logikós) é a porta para o que é racional e raciocinamos as formas para chegar as puras imagens e puras conclusões. Ou seja, que está ali oculto é a resposta de todo o problema com o numero perfeito, a piramide que circunda o olho de Deus e a santa trindade, ou, as três entidades que só pode existir porque só existem eles no problema. O 3 filhos foi a conclusão de uma outra premissa que esses 2 pais estão nesses 3 filhos e a lógica – como a ciência acima de conceitos e crenças humanas – não pode ficar presa em um conceito além do que foi proposto que é raciocinar aquilo que está atrás do que seja possível. Só há possibilidade de ter 3 pessoas entrando naquela loja por comprar 3 camisas e cada um comprou a sua, porque o não haveria lógica ter 5 pessoas para 3 camisas.

Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

É minha a Filosofia?








        Todos que discuto filosofia me perguntam: qual sua filosofia? Me faz imaginar que as pessoas imaginam que a filosofia seja como escolher um time de futebol, que essa pergunta seria a mesma pergunta que o senso comum sempre faz: “Que time você torce?” ou perguntas que me deixam assustado e que dês de muito jovem as pessoas me fazem como “e as namoradas?” ou “Você gosta da fruta?”. Claro que o senso comum, como pessoas alienadas para fazer o serviço braçal industrial, nem sabe o que estão perguntando, pois se percebesse que a vida não é um jogo de futebol nem ligava do time das pessoas e nem muito menos, tratava a mulher como se fosse mero objeto sexual. Aliás, se isso não acontecesse, não haveria tantas feministas enfurecidas achando que todo homem é um inútil – vendo esse tipo de pergunta concordo com elas – nem mulheres desconfiadas e dizendo que todo homem é igual. Por outro lado – porque adoro ser o advogado do diabo – se tem homens que tratam mulheres assim é porque existem mulheres que gostam de um “Cinquenta tons de cinza” e se existe mulheres dizendo que todo homem é igual, é porque só se relacionam com esse tipo de homem. Que tal refletirem sobre isso? Será que o time da outra pessoa é importante? Já deu para perceber que o importante e o que podemos refletir de si para si. Voltamos a filosofia.
Vamos analisar a pergunta “qual sua filosofia?” para entendemos o que poderia ser “sua filosofia”. O termo “qual” empregado na pergunta que segundo o Michaelis eletrônico, dará o termo de qualidade aquilo que se quer saber do outro, nesse caso, a filosofia. Se perguntamos “qual sua filosofia?” estamos já definindo o que seria filosofia para nós mesmo de ler ou de aprender – é realmente um tédio manuais de filosofia de hoje como manuais de etiqueta filosófica – o que seria, o significado e o porque se filosofa. Ai está alguns erros, a imposição ideológica fazem a nós enxergarmos a filosofia como um meio de propagar essa ideologia, mas a filosofia pode fazer o inverso e contestará ideologia predominante. Posso ser um anarco-libertário – não existe anarco-capitalista – e contestar a democracia que não está dando o resultado que se propõe que é governar com o povo. Isso é papel da filosofia e é besteira achar que tem essas inúmeras separações, só são estudos de cada matéria, mas tudo é filosofia. Depois vem o termo “sua” que é a variação feminina do pronome possessivo “seu”, porque tudo que é “seu” pertence a você e se você diz “sua filosofia” é porque você pergunta algo seu, de sua posse. O “qual” dará a qualidade e o “sua” lhe dará a posse daquilo que se quer saber do outro, assim, chegamos a “filosofia”. Diz uma lenda muito conhecida no meio filosófico é que chegaram para Pitágoras de Samos e lhe chamaram de sábio, então Pitágoras teria virado e dito “Eimai philosophós”, ou seja, “eu sou um amigo da sabedoria”. Foi assim:
“Certa vez, enquanto assistia aos jogos olímpicos, o príncipe Leon perguntou a ele como definiria a si mesmo. Pitágoras respondeu: “Eu sou um filósofo”. O príncipe ficou intrigado. O filósofo olhou a seu redor e explicou: “Na multidão aqui reunida, alguns vieram em busca de fama, outros à procura de lucros. Mas entre eles, alguns vieram observar e entender o que se passa aqui. Eu os chamo de filósofos. Embora nenhum homem seja completamente sábio, o filósofo ama a sabedoria como a chave para os segredos da natureza.”” (tirado do site: Hoje Ciência das Crianças)


Ora, essa “philia” que o grego antigo tinha como um amor amizade, era muito mais profundo o que definimos hoje a amizade. Nem todo mundo poderia ser seu amigo, porque o termo amigo (philós) era uma coisa muito mais sagrada, muito mais intima e quase espiritual (Jeager, uns dos grandes estudiosos sobre os gregos antigos, vai dizer que é um termo completamente espiritual junto com “ethos”). Ser amigo (philós) para o grego era muito mais do que ser ético (ithikes) e sim, existir uma afinidade entre você e o amigo que te acompanha. Talvez, possamos ter uma noção o que Pitágoras disse quando se definiu como “amigo da sabedoria”, pois a sabedoria (sophia) é a sua amiga mais intima e você pode dialogar com ela e outra coisa que fica muito bem definida dentro da resposta do filósofo de Samos, que o verdadeiro filósofo observa para entender. Agora estamos no caminho de entender a pergunta: “Qual sua filosofia?” para entender a qualidade do sua amizade a sabedoria.
Talvez, essa é a definição do filósofo, um observador. Observar aquilo que muitas vezes, te espanta e de dará grandes motivos para pergunta o “porquê” daquilo. Eu poderia, por exemplo, responder a pergunta “que time você torce?” com duas características: primeiro, poderia dizer que meu time era o Corinthians, mas hoje não sou muito fã de futebol (termo vindo da Inglaterra “football”, traduzindo, “Bola nos pés”); ou poderia responder em uma analise mais profunda dizendo que não me agrada ver 22 homens correndo atrás de uma bola colorida e ganhando milhões só para isso. Mas nas duas analises, como cheguei a essas conclusões? Observando. Mas além da observação, está dentro do contexto as minhas duvidas e minhas indagações que me levam a se espantar que um jogo infantil medieval, hoje, é financiado por milhões em dinheiro. De onde vem esse dinheiro? Será mesmo que esses jogadores ganham esse milhões? Milhões que poderiam ser convertidos, talvez, com crianças refugiadas ou para acabar com a fome de alguns países africanos, mas gastamos milhões em jogos de futebol. Talvez, poderíamos dizer que os “cartolas” exploram a “catarse” para ganhar esses milhões, como a maioria das igrejas de garagem, o fazem. Mas não é só isso, deve ter mais coisa por trás disso e espanta cada vez mais a mim – como observador assíduo – são pessoas estudadas terem essa visão que existe uma obrigação quase religiosa, de ter um time para torcer. Daí eu pergunto: qual a razão disso tudo? Por que perder tempo observando 22 jogadores dentro de um campo e um cara de preto apitando e seguindo a regra (dependendo da maleta preta, mas é outro assunto)? Não a toa, vamos chamar os romanos de observadores muito ruins, aliás, o império romano degenerou todo e qualquer meio de criatividade, porque não tinha razão de ser de homens lutarem até a morte e o povo achar graça naquilo.
Ora, um filósofo é um observador da cultura e pode muito bem, contestar o que ele deseja contestar porque são analises de suas observações. Ou como diria Immanuel Kant, ousar saber (sapere audi), que ele pegou emprestado do poeta romano, Horácio. De repente, quando as pessoas te perguntarem “e as namoradas?” você pode responder com uma risada irônica – como o senso comum machista e alienado faz - ou diz que você é comprometido. Nós podemos olhar e achar outra pessoa bonita, mas existe um apoio ético dentro do compromisso que te faz pensar se é melhor uma aventura de uma noite ou varias noites, ou o respeito e o companheirismo que tua mulher ou teu marido lhe proporciona. Mas é já sabido, pelo menos para quem observa, que a essência dessa pergunta é uma essência de uma cultura que lhe mostra que numa simples cantiga infantil nos fazem ir a um anel que tínhamos e se quebrou porque era de vidro e o amor quebra no mesmo patamar. A imagem do anel é uma imagem de compromisso, uma imagem que um deve ser fiel ao amor do outro não por obrigação, não é esse dever que me refiro, mas o encontro do seu próprio sentimento. O filósofo não julga, mas observa e analisa profundamente (critica), essa posição. Por que se comprometemos e ao perguntar para outro homem, como se todos devessem pensar ou agir igual, se temos “namoradas”? Ou se “gostamos da fruta” querendo dizer se gostamos de mulher? Não existe nenhum beneficio nessas perguntas que possamos dizer se temos o direito de perguntar. Não compromisso consigo mesmo, porque nos esquecemos dos nossos sentimentos, esquecemos no que sentimos e o que temos de verdadeiro, que nem a realidade e nem a verdade existe.
Podemos, então, dizer que não basta só observar e sim, indagar aquilo que se observa. Tales de Mileto, uns dois mil e quinhentos anos, foi o primeiro a perguntar o “Por que?” de tudo que existe, porque para ele, não bastava a explicação que todo mundo dava. Com ele aparece o ato de filosofar e com Pitágoras de Samos, se cria o termo para isso. A filosofia não é e nunca sera apenas um ato de colocar tudo no modo da razão (logos/ratio), mas até o modo racional pode ser contestado como “tudo flui” de Heráclito de Abdera e que não existem racionalidades e irracionalidade. Talvez, se fomos mais a fundo na questão, um ato de corrupção seja um ato racional levado a não tem sentimento daquilo que vai ocasionar tirar o dinheiro de alguma área da administração publica. Ou até mesmo, por exemplo, a traição é um ato de puro instinto libidinoso que é um sentimento de falta – cada qual deseja aquilo que não tem que pode ser um ato de alienação e escravização daquilo que se é condicionado – e que não sabem diferenciar do que temos e o que não temos. Nem tanto a razão e nem tanto a emoção, tudo deve conter um equilíbrio para saber o que é que desejamos dentro do nosso universo. Freud disse que vivemos sempre fugindo da morte, sempre desejamos porque sempre desejamos a vida na sua plenitude, fugimos do deus Tânatos (morte). Nos escravizamos em desejos, promessas e luxos para fugimos de uma coisa inevitável e o pior, sempre desejamos a felicidade, mas nunca o ser humano o a quer. Ou podemos achar que quem trai é acometido de felicidade? Momentos felizes em uma balada ou tomando barris de cerveja, não é a verdadeira felicidade e sim, só um momento feliz. Um momento que tiramos a angustia de saber que não somos importantes para nós e pensamos, numa hipótese da ilusão que nos colocaram, ser para o outro também. Como olhar isso com profundidade? Como o ser pode ir até a filosofia ultima? O NADA pode ser a resposta, pois quando esvaziamos todos os nossos conceitos, não temos nada a nos apoiar dai podemos conhecer a nós mesmos. A razão e a emoção sem ética, não conduz o ser humano a felicidade.
Temos que questionar essa racionalidade dentro da filosofia que colocaram como quase um atentado a ela, porque nem sempre não acreditar é racional (rationale) e sim, questionar aquilo. Algumas pessoas usam a filosofia como forma de questionar aquilo que todos seguem, como a religião, mas acreditam cegamente nas outras coisas como descobertas cientificas e ideologias politicas. Ora, questionar a veracidade do homem pisar na Lua é uma questão também da filosofia, porque existem vários fatores na época, que nos fazem duvidar do ato em si mesmo. Existem fatores também que colaboram para a analise de ideologias como a marxista – que se mostrou ineficiente com a URSS – a ideologia liberal capitalista e as ideologias fascistas. Sobrando, não resta duvida, que a realidade onde vivemos é uma mera ilusão, algo que reduz ao ser humano em meras “ovelhas”.
Mas ainda tenho que responder “qual sua filosofia?”, mas não tenho e sim respondo o que me é permitido. Se sei expressar eu posso responder, se não sei eu devo me calar, por uma limitação de termos que ainda não descobri e se eu descobri, direi. Dai voltamos a ideia da “ovelha” que sempre está vendo as realidades que impõe a ela ver, porque mesmo não sabendo expressar, mesmo sabendo que aquilo pode não existir, ainda sim, tem confiança de se apoiar naquilo. Quem em uma clara “gota” de racionalidade pode conceber, por exemplo, que um foguete com milhões de toneladas e com a tecnologia rudimentar em 1969? Quem poderia ter gravado, sendo que uma câmera daquela época pesava muito? Pode ser que foram, mas pode não ter ido para Lua e tudo não passou de encenação para guardar a soberania armamentística norte-americana. Não aceitar um fato é também filosofar, não só no posicionamento de algum fato religioso, mas todos os fatos que envolveram a historia. Podemos questionar o “11 de Setembro” e dizer que foi o governo norte-americano que fez para justificar a invasão do Afeganistão, além disso, consolidar a supremacia com a invasão do Iraque. A observação me faz alguém diferente daquilo que as pessoas me querem que seja e talvez, por isso mesmo, seja chamado de filósofo. Mas filósofo não é, de maneira nenhuma, um sujeito que pensa apenas, mas aquilo que pratica o que pensa. Como praticar filosofia? As inúmeras filosofias orientais sabem fazer isso, sabem praticar o NADA e não serem niilistas, porque acreditam em algo.
Talvez a “minha filosofia” seja tudo que vivi e tudo que tenho que viver, observando que nenhuma ideologia politica vai nos ajudar a encontrar a felicidade, nenhuma religião (de religare) vai trazer uma verdadeira espiritualidade e talvez, o “Deus” que procuramos está num lugar errado. Talvez, a “minha filosofia” não pode ser vista porque ela não tem amarras, não tem tutores ideológicos e nem posições, porque o papel do filósofo não é tomar posições, mas analisar as posições que existem. Sim, sai da Caverna aos 18 anos.


Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, técnico de informática e filósofo.